sábado, 06 de março de 2021

Política
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A força e o poder da PB no Congresso Nacional

Nice Almeida / 07 de setembro de 2015
Foto: Infográfico/Josinaldo Barbosa
Quinze parlamentares 'sentados' em 76 cadeiras ao mesmo tempo. Quando o tamanho do poder conseguir ser medido em quantidade, a Paraíba vai descobrir que a sua representação no Congresso Nacional é cinco vezes maior que o número de legisladores atuantes em Brasília. Na legislatura atual, os doze deputados federais e três senadores paraibanos ganharam os principais holofotes que iluminam a Capital do Brasil por estarem presidindo comissões como a CPI da Petrobrás - com Hugo Motta (PMDB) - e a dos Fundos de Pensão - com Efraim Filho (DEM).

Contudo, esses dois colegiados não são os únicos com participação dos parlamentares locais. De acordo com levantamento feito pelo jornal Correio Online nos sites da Câmara e do Senado, os doze deputados federais paraibanos acumulam 60 comissões. Os três senadores, por sua vez, estão em 16. São, em média, cinco colegiados para cada um, sendo que alguns participam de até 15 enquanto outros estão presentes em apenas duas.

Tão importante quando as citadas anteriormente, as Comissões de Constituição e Justiça, Educação, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Ciência e Tecnologia, Transposição do Rio São Francisco, entre outras, também são ocupadas pelos legisladores paraibanos que se dividem entre colegiados permanentes e especiais e se desdobram para conseguir conciliar o tempo e atender a todas as demandas de suas titularidades e suplências dos 76 colegiados dos quais fazem parte.

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Sem tempo, deputados elegem prioridades

Alguns dos deputados garantem que acumular tantas funções é sinônimo de participação ativa e que isso acaba refletindo em melhorias para a vida dos cidadão, principalmente, os que vivem no Estado o qual representam. Entretanto, eles admitem: em meio a quantidade elevada de comissões acaba sendo preciso eleger prioridades.

É o caso de Efraim Filho (DEM) - que recentemente foi escolhido para presidir a CPI dos Fundos de Pensão. Ele é um dos campeões em acúmulo de comissões - especiais ou permanentes - e está presente em 15 delas, como titular ou suplente. Para não perder nenhum detalhe do que acontece nas reuniões dos colegiados ele assume que chega a pedir ajuda a assessores ou aos suplentes.

"É realmente um esforço atender às demandas. Tem que estabelecer prioridades. Mas, dá para fica a par de tudo e intervir no que é prioritário. A CPI dos Fundos de Pensão agora irá me consumir um pouco mais e também tem as reuniões de audiência pública. Quando acontece de ter mais de uma ao mesmo tempo eu peço a assessoria que depois me passam os detalhes do que foi discutido. Para quem quer e gosta de trabalhar dá para conciliar", contou.

Entre as comissões que contam com a participação de Efraim estão a de Esporte, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e Transposição do Rio São Francisco. Ele ainda é suplente na CPI da Petrobrás.

Quem também admite que nem sempre é possível atender a todas as demandas é o deputado Wilson Filho, que acumula 13 comissões. "Algumas vezes acontece de haver reuniões na mesma hora e a gente tem que escolher e quando isso acontece a gente acaba dando prioridade a temas que vinculam ao nosso trabalho. Na quarta-feira, por exemplo, tem quatro a cinco reuniões ao mesmo tempo. Às vezes passo um pouco de tempo em cada uma e participo de todas. Tem gente que acha que não é importante, mas é para levar melhorias para nosso Estado", enfatizou.

Wilson Filho está, entre outras, na CPI que investiga violência contra jovens negros e pobres. Além dela, o parlamentar também atua na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Estudar para atender às demandas

Rômulo Gouveia (PSD) também é campeão em participação em comissões. Ele acumula 15, ao todo, mas explica que muitas delas são especiais e, por isso, não exigem tanto do parlamentar porque as reuniões são sazonais, ou seja, não acontecem com frequência, permitindo mais dedicação aos colegiados permanentes. E mesmo com tantas atribuições ele garante: é possível estar atento ao que acontece em todas elas. Mas confessa que em alguns momentos é preciso agilidade e atenção.

"Tem horas que precisa ser The Flash", brinca o deputado. "Para acompanhar tudo o parlamentar precisa estudar, tem que conhecer. Eu, por exemplo, faço intervenção em todas as comissões e consigo conciliar. E ainda tem as audiências com ministros para tentar levar bons projetos para a Paraíba. Mas, faço o meu trabalho com convicção do que tem que ser tratado, do que tem quer defendido e isso não me sobrecarrega", assegurou Rômulo Gouveia.

O legislador ressaltou a importância de estar presente nesses colegiados e disse que o trabalho do deputado está além da participação no plenário. "Muitas pessoas pensam que a atuação do parlamentar é só aparecer no plenário, mas não é só isso. É preciso estudar muito, articular para ter seus projetos aprovados, trabalhar para levar boas coisas para o Estado", afirmou.

Rômulo está na Comissão da Transposição do Rio São Francisco, Ciência e Tecnologia e também participa do Centro de Debate e Estudo Estratégico, essa última conta com apenas nove parlamentares dos 513 atuantes no Congresso.

Presença nas comissões

A quantidade de presença nas reuniões das comissões são o comprovante de que mesmo elegendo prioridades os deputados estão conseguindo agregar o trabalho. Os campeões em acúmulo de colegiados garantiram que conciliar é possível e provam isso em números. O deputado Rômulo Gouveia conseguiu estar presente em 93,8% das reuniões. Efraim Filho em 84,3%. Já Wilson Filho esteve em 69,5%. Wellington Roberto, que também faz parte de 13 comissões, tem um aproveitamento de 82,9%.

 

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