sexta, 18 de setembro de 2020

Política
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100 mil documentos digitalizados na Comissão da Verdade

Adelson Barbosa dos Santos / 21 de janeiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
No dia 31 de março, quando o Brasil lembrará os 54 anos do golpe militar, a Comissão Estadual da Verdade encerrará suas atividades na Paraíba. Segundo o advogado e historiador Waldir Porfírio, representante do Governo na Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória, o governador Ricardo Coutinho (PSB) receberá o relatório final das investigações realizadas nos últimos quatro anos.

Durante esses anos, a Comissão da Verdade apurou (com riqueza de detalhes) a participação dos agentes de segurança do Estado brasileiro nas perseguições, prisões, torturas, mortes e desaparecimentos de paraibanos que se posicionavam contra o regime militar que aterrorizou parte da sociedade brasileira entre 1964 e 1985.

Segundo Waldir Porfírio, em quatro anos, cerca de 100 mil documentos relacionados à Paraíba- ou a paraibanos fora do Estado- foram encontrados nos mais diferentes órgãos de informação e digitalizados por integrantes da Comissão.

Os documentos revelam cenários, práticas de tortura, planos para punir subversivos, espionagem, perseguições, demissões no serviço público, expulsões de estudantes da Universidade Federal da Paraíba, acidentes provocados que resultaram em mortes, sumiço, entre outras práticas.

Os documentos também revelam as táticas e estratégias usadas por adversários do governo, militantes políticos, estudantes, professores, deputados, prefeitos, padres, profissionais liberais e até juízes para burlar a censura, a espionagem e todo tipo de perseguição praticada pelos agentes do regime.

Memorial da Democracia

Após o encerramento oficial dos trabalhos, no dia 31 de março, será automaticamente criado o Memorial da Democracia na Paraíba, conforme prevê o decreto do governador Ricardo Coutinho que criou a Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória.

Segundo Waldir Porfírio, os 100 mil documentos, todos digitalizados, ficarão à disposição da sociedade no Memorial da Democracia, que funcionará na Fundação José Casa de José Américo, na orla do Cabo Branco.

A digitalização inclui documentos confidenciais, elaborados pelos órgãos do regime militar, como a Polícia Federal, o Serviço Nacional de Informação, o Exército, Marinha, Aeronáutica, entre outros. Também engloba fotografias, cartas, bilhetes e depoimentos forçados (às autoridades) de pessoas que foram presas, torturadas, ameaçadas e processadas no período, entre outros.

Muitas dessas pessoas procuraram a Comissão da Verdade, ou foram procuradas, nos últimos quatro anos, para falar sobre os dramas que enfrentaram nos terríveis anos de medo. Os depoimentos esclarecedores da verdade também estão entre os documentos digitalizados.

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