sexta, 26 de fevereiro de 2021

Lar do Garoto
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Dezessete adolescentes são transferidos do lar do garoto

Wênia Bandeira e Renata Fabrício / 08 de junho de 2017
Foto: Reprodução
A Vara da Infância e Juventude de Campina Grande autorizou nesta quarta-feira (7) a transferência de 17 adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Lar do Garoto, em Lagoa Seca. A medida foi tomada após a fuga de quatro internos, na madrugada desta quarta-feira (7), além da morte de sete internos e fuga de outros seis registrados no último sábado (3), o que atestou a fragilidade na segurança e superlotação da unidade socioeducativa. A data e o local para onde serão transferidos os menores não foram divulgados. Os internos já foram transferidos na manhã desta quinta-feira (8) para João Pessoa e Sousa.

Na tarde de ontem, em reunião entre Ministério Público, Secretaria de Segurança da Defesa Social (Seds), Associação de Magistrados da Paraíba, Polícias Militar e Civil e Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac), o juiz da vara especializada, Algacyr Rodrigues Negromonte, autorizou a transferência de 17 internos para outras unidades socioeducativas do Estado.

Ameaça de nova rebelião

 A Defensoria Pública adiantou que há ameaças de um novo motim no local. Dos quatro internos que fugiram, apenas um foi localizado e reconduzido à unidade.

O defensor público da Vara da Infância, Admilson Villarim, alegou que não há prazos de internação acima do limite permitido e que a Defensoria busca por alternativas de progressão de penas. Villarim destacou ainda que os internos do Lar do Garoto convivem em situações precárias de higiene. “A condição é péssima, falta banheiro, falta água, falta tudo. Tem muitos menores agrupados numa cela, tem cela que podia ter quatro ou cinco e está com 15 internos”, informou o defensor.

 Perfil

De acordo com a Fundac, a maioria dos jovens que chega às unidades socioeducativas está há cerca de dois ou três anos fora da escola e 80% deles têm dependência química. “É preciso um tratamento diferenciado. Não é possível tratar todos os adolescentes iguais pelo tipo penal, mas oferecer um tratamento diferenciado de acordo com a vontade de se capacitar. A Paraíba tem um dos menores índices de superpopulação do Brasil”, explicou o presidente da Fundação, Noaldo Belo.

Nada esclarecido

O presidente da Fundac, Noaldo Belo, alegou que ainda não foi esclarecido como aconteceu a fuga e a rebelião do último sábado (3) no Lar do Garoto. Os dois agentes que fiscalizavam o quarto onde aconteceu o motim foram ouvidos e a Polícia Civil abriu inquérito para investigar a rebelião e a fuga ocorrida nesta quarta-feira (7).

 

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