domingo, 16 de maio de 2021

Lagoa Seca
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Servidores do Lar do Garoto protestam em ato público contra mortes de detentos

Wênia Bandeira / 14 de junho de 2017
Foto: Reprodução
O Sindicato dos Trabalhadores da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac) realizou nesta terça-feira (13) um ato público em protesto contra as mortes ocorridas na rebelião no último dia 3. Eles pedem melhores condições de trabalho e realização de concurso público. A reportagem teve acesso à área interna do Lar do Garoto, em Lagoa Seca, e percebeu a dificuldade dos internos até mesmo para dormir nos quartos superlotados.

Na mobilização, a direção do Sintac prestou solidariedade às famílias que perderam seus entes e também aos funcionários da unidade. Foram colocadas sete cruzes com nomes dos mortos durante o motim. “O nosso objetivo é fazer um apelo, com um ato público de protesto, em relação a todo o descaso de anos e anos passados que eclodiu neste massacre que aconteceu aqui, com as superlotações, o descaso, a falta de políticas públicas. As unidades são verdadeiros caixões que enterram a dignidade destes jovens”, declarou presidente do sindicato, Lucia Brandão.

Ela disse que é preciso que as autoridades olhem para a sócio educação porque o trabalho não é fácil. Lucia informou que os jovens destas unidades vão à escola uma vez por semana por duas horas. “Como podemos reeducar estes jovens nestas condições? Nós queremos fazer a diferença, mas queremos ter condições para fazer isso”.

A sindicalista ainda salientou que os agentes enfrentam o desafio da segurança pela quantidade do efetivo. Atualmente, 96 agentes fazem a segurança do local como contratados terceirizados, mas serão substituídos por contratados pela Fundac através de processo seletivo simplificado, mas o sindicato quer realização de concurso público para todas as categorias.

Novas unidades

Noaldo falou que existe ainda um estudo para construção de duas novas unidades, sendo uma no agreste e outra na cidade de Patos, no sertão paraibano. O presidente da Fundac afirmou que as pequenas cidades estão com problemas com seus jovens.

“Vinte municípios são responsáveis por 82 internos aqui. Há uma concentração grande de internos em poucos municípios”, disse.

Estrutura danificada

 Noaldo esteve no Lar do Garoto para acompanhar as reformas que estão sendo feitas. A previsão é de que sejam finalizadas esta semana. Toda a estrutura está sendo recuperada com pinturas nas paredes e grades. O telhado de algumas áreas foi refeito, mas ainda há vestígios da rebelião em razão de um incêndio que foi provocado pelos internos.

Acompanhada por Noaldo, a reportagem teve acesso ao quarto onde o fogo foi ateado no abrigo. O local ainda não foi recuperado e continua vazio, mas os quartos vizinhos estão com cinco internos em cada, quando deveriam ter apenas um. Os reeducandos disseram que não conseguem deitar para dormir por causa da falta de espaço, já que o lugar tem somente oito metros quadrados.

Um dos quartos incendiados foi dividido para fazer dois dormitórios com banheiros. Hoje, os quartos não possuem banheiros e os internos devem chamar os agentes quando precisam fazer necessidades fisiológicas.

Ampliação

A Fundac informou que mais seis quartos estão em construção em uma nova ala. Por enquanto, quatro estão recebendo os ultimatos para ser inaugurados e os outros dois ainda precisam ter paredes construídas. O local tem capacidade para 90 pessoas, mas conta 165 internos. O objetivo é criar 30 vagas.

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