quinta, 18 de julho de 2019
Infraestrutura
Compartilhar:

Prédio em construção desaba, em João Pessoa

Aline Martins / 12 de julho de 2019
Foto: ASSUERO LIMA
O prédio de cinco andares, que estava em construção e desabou na noite de quarta-feira, no bairro da Torre, em João Pessoa, chama a atenção para outras situações ainda mais complicadas. Em alguns bairros da Capital paraibana - como Brisamar e Centro - há imóveis que foram abandonados pelas empresas de construção pela metade do serviço, sem ao menos concluir. No entanto, ainda não há levantamento do quantitativo de prédios nessa situação.

Sobre o desabamento, uma perícia técnica será realizada para apontar as causas. Os materiais utilizados na obra também serão verificados e testados. O resultado deve sair nos próximos dias.

Em relação a esse prédio que desabou, que é anexo/ampliação de um hospital particular que fica na Avenida Dom Moisés Coelho e não estava abandonado, sobraram apenas os escombros. Percebe-se que o imóvel já estava em fase de finalização, pois algumas paredes tinham revestimento em cerâmica. Circuito de câmeras de residências próximas registraram o momento da queda. Houve muita fumaça e algumas casas chegaram a ser atingidas por pequenos entulhos. Na manhã de ontem, muitos curiosos observaram o local, mas não quiseram comentar sobre o assunto.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil da Capital, Noé Estrela, desde a noite do desabamento, uma equipe esteve no local para verificar se havia vítimas. Como não tinha, o local foi isolado. “Verificamos que o prédio caiu por inteiro e isolamos a área. Retornamos pela manhã para solicitar as documentações e apurar junto com os outros órgãos: Crea-PB, Conselho de Arquitetura e Corpo de Bombeiros para chegar as causas do desabamento”, informou, destacando que inicialmente a obra contava com profissionais e a documentação estava regular.

No bairro de Brisamar, cruzamento das ruas Maria Facunda de Oliveira Dias com David Ferreira Luna, um prédio de aproximadamente dez andares foi abandonado há algum tempo como pode ser verificado a partir do desgaste das estruturas metálicas que servem de contenção da queda de entulhos da construção. A princípio não havia placas com os responsáveis pelo serviço. Além disso, as paredes estavam escuras, o que demonstra o abandono.

Já no cruzamento das ruas das Trincheiras com a Irineu Joffily, no Centro, a fachada de uma casa antiga foi pintada, porém, do lado se percebe que está com algumas paredes e teto destruídas. Isso tem gerado risco para as pessoas que passam pelo local.

Sobre os demais imóveis, Noé Estrela informou que a Defesa Civil só pode atuar no local caso seja solicitado. “A gente não pode entrar no imóvel particular para vistoriar a não ser que sejamos provocados. Seja o dono ou alguém que esteja sendo afetado”, comentou.

Conforme o Corpo de Bombeiros, a vistoria e fiscalização de imóveis ocorre apenas em casos de incêndio e no sistema de prevenção como a existência de saídas de emergências. Já na parte estrutural fica a cargo dos conselhos.

Sem resposta. A reportagem do CORREIO tentou falar com o hospital responsável pelo prédio, mas até o fechamento desta edição não obteve contato.

Conselho fiscalizou obra

Em nota, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Paraíba (CAU-PB) informou que a obra já havia sido fiscalizada anteriormente, o que constatou a participação de um arquiteto e urbanista responsável pelo projeto arquitetônico da edificação.

“No entanto, o Conselho esclarece que, o projeto de execução e o cálculo estrutural da obra são de responsabilidade de um engenheiro civil, assim como o gerenciamento e acompanhamento desta obra. O CAU-PB tem como função orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo. O CAU-PB lamenta que esta seja uma situação recorrente em todo o país e se coloca à disposição das demais autoridades no que for necessário”.

Engenheiro. Por meio da assessoria de imprensa, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB) informou que o órgão não acompanha de forma contínua esse tipo de obra.

O Conselho de Arquitetura atua no suporte do engenheiro responsável pela obra, que após estar apto para o serviço, esse profissional assume a responsabilidade pelo local. Por ter sido a primeira vez que aconteceu, o Crea-PB considera um fato isolado. Como haverá a perícia, o engenheiro será identificado.

 

Relacionadas