sábado, 17 de agosto de 2019
Infância
Compartilhar:

Mais de 270,6 mil crianças vivem em condições precárias

Lucilene Meireles/Katiana Ramos / 24 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Apesar de muitas famílias, na Paraíba, terem saído da situação de pobreza extrema nos últimos anos, este número ainda é alto. Dados da edição 2019 do Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil, divulgado pela Fundação Abrinq, mostram que, em 2017, 270.664 mil meninos e meninas com idade entre 0 e 14 anos (31,6% do total desta população no Estado), viviam em condições precárias, com renda per capita mensal de até um quarto do salário mínimo.

O cenário é preocupante, já que esta realidade traz impactos na vida de crianças e adolescentes, como gravidez precoce, aumento das taxas de mortalidade infantil, abandono escolar. O estudo diz que, em 2016, o percentual era de 34,4%, um universo de 301.737. Considerando a parcela que vivia com renda de até meio salário mínimo per capita, os dados da Abrinq indicam que, em 2016, a Paraíba tinha 66,7% da população entre 0 e 14 anos vivendo nesse contexto e também estão inseridos na linha da pobreza extrema. Em números absolutos, eram 585.669 mil crianças e adolescentes. Em 2017, a situação teve uma melhora sutil, com o percentual passando para 65%, que corresponde a 556.582.

Morador da Comunidade do ‘S’, no bairro do Roger, em João Pessoa, Severino da Silva Rodrigues, de 43 anos, atualmente desempregado, representa bem os chefes de famílias que convivem com a escassez e têm que buscar alternativas para sustentar a família. Pai de cinco crianças com idades entre 9 e 13 anos, ele se tornou o único responsável pelos filhos depois da separação.

A única fonte de renda vem do Programa Bolsa Família de três crianças que, somadas, rendem pouco mais de R$ 300 mensais. Para tentar complementar, ele cata produtos recicláveis, mas a ocupação gera pouco lucro. Somando tudo, não consegue fechar um salário mínimo. A expectativa do catador é conseguir um emprego, mas há meses surgem apenas promessas. “Estou esperando um trabalho e, enquanto isso, faço minha parte, o melhor que posso para ver meus filhos bem. Tem que comprar comida, roupa, calçado, remédio. Não é fácil”, constatou.

Posição da Abrinq. Além de dados que estão disponíveis por Estado, a publicação reúne os principais indicadores sociais sobre crianças e adolescentes no Brasil e suas regiões. Ao todo, são mais de 20 indicadores, como mortalidade, nutrição, gravidez na adolescência, cobertura de creche, trabalho infantil e saneamento básico, entre outros.

O presidente da Fundação Abrinq, Carlos Tilkian, destacou que o estudo é muito mais do que um material de consulta. “Espero que esta edição do Cenário da Infância e Adolescência – 2019 seja um instrumento para a incidência política pela garantia e promoção de direitos da infância e da adolescência”.

“Acreditamos que crianças e adolescentes devem ser foco prioritário das políticas, de redução da pobreza e das desigualdades sociais, buscando a promoção de uma sociedade mais justa e pacífica", acrescentou Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq.

Cartão Alimentação auxilia famílias

Na Paraíba, alguns usuários do Bolsa Família complementam a ajuda mensal, no valor de R$35, com o Cartão Alimentação. O auxílio é disponibilizado para famílias onde há crianças e adolescentes, gestantes em estado de desnutrição e idosos que estejam em situação de insegurança alimentar. De acordo com a gerente executiva de Proteção Social Básica da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado (Sedh), Gilmara Oliveira.

“Esse artão é um complemento para o Bolsa Família para as pessoas em situação mais vulneráveis. Na Paraíba, atualmente, temos cerca de 524 mil usuários recebendo o Bolsa Família”, acrescentou.

O Programa Cartão Alimentação foi criado em 2015 pelo Governo do Estado, por meio da Sedh, e atende atualmente cerca de 50 mil famílias para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais cadastrados em cada município.

Relacionadas