terça, 13 de novembro de 2018
Imóveis
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Casarão em que morou João Pessoa vive abandono

Lucilene Meireles / 12 de julho de 2018
Foto: Rafael Passos
Muito se fala em cuidar do patrimônio histórico. Projetos são apresentados, recursos alocados, mas pouco é feito e a história da cidade vai perdendo sua identidade. Um exemplo clássico do descaso é o casarão de número 92, em frente à Praça da Independência, no Centro de João Pessoa. O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep) e foi residência do ex-presidente da Paraíba, João Pessoa, na década de 1930. Porém, apesar de seu valor histórico, o cenário atual é de total abandono. No muro, um cartaz colado diz: ‘Procura-se quem me abandonou’.

A placa que anunciava a obra de revitalização, prazos e recursos, não resistiu ao tempo e desabou. Os dizeres foram apagados após anos de desprezo. Os portões, fechados com cadeado e corrente, estão enferrujados e a pintura ganhou um tom escuro. Portas e janelas estão destruídas. Na varanda, ficaram o que restou de um fogão velho e até de um orelhão. No alto da construção, uma árvore se ergue. O mato e o lixo invadiram o terreno. Cães de rua fazem morada no local.

“Vejo a situação com preocupação. É um patrimônio que a gente tem que preservar”, disse o coordenador do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac), Ruy Leitão. O espaço, conforme sugeriu, poderia ser um museu como estava previsto inicialmente, já que a cidade não conta com esse tipo de instituição. “Nós, da Copac, estamos dispostos a compartilhar de qualquer ação que possa redefinir o projeto”, acrescentou.

Recuperação

A Paraíba chegou a receber recursos para a obra, mas o trabalho não andou e, por isso, o projeto teve que ser refeito. O processo seria de atualização dos valores do orçamento, já que o imóvel se desgastou e não houve mais investimento. “O governo está elaborando um projeto de recuperação. Lá vai funcionar um museu e uma parte dos serviços do Procon, na parte de trás. Assim que fizer a recuperação, a segunda etapa será a implantação do museu”, afirmou a superintendente do Iphaep, Cassandra Figueiredo.

Segundo ela, o Iphaep está instruindo a Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan) sobre o que pode ser feito. Como o imóvel não recebeu tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), os representantes não se pronunciaram.

O projeto está em andamento na Suplan e a licitação prestes a ser anunciada. A informação é do diretor técnico, Luiz Rabelo. Ele destacou que tudo será restaurado, mantendo fielmente a estrutura original do prédio.

O último convênio para restaurar o casarão foi firmado em 2005 com o governo federal e previa a reforma e adequação do imóvel para abrigar o Museu da Cidade. Dois anos depois, o governo do Estado realizou os primeiros procedimentos para iniciar a obra, inclusive a contratação de uma empreiteira. Parte do recurso chegou ao Estado, mas os trabalhos pararam.

Segundo Cassandra Figueiredo, na época, a ideia, era que fosse entregue o Museu da Cidade Império e República. O casarão seria a República. Como a obra parou, a verba do Ministério do Turismo teve que ser devolvida.

 

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