terça, 21 de maio de 2019
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Yamandú Costa e Ricardo Herz gravam disco juntos

Renato Félix / 10 de fevereiro de 2019
Foto: Gabriel Boieras/Divulgação
Um levou a influência da rabeca nordestina. O outro, entrou com a herança do sul do país. Ricardo Herz, no violino, e Yamandú Costa, no violão sete cordas, combinaram seus estilos e trajetórias em um CD lançado há alguns meses e que leva apenas o nome dos dois músicos.

“É uma formação que já existiu muitas vezes na história. Começa lá em Paganini, que foi um dos maiores virtuoses do violino e também tocava violão: ele compôs peças para violão e violino”, conta Yamandú, um dos principais ases do violão no Brasil. “São instrumentos também muito característicos da música cigana”.

O senso comum costuma colocar o violino na casinha da música erudita e o violão na música popular — embora, claro, eles sejam usados nas duas vertentes. Ricardo Herz, paulista, começou pelo violino erudito. Mas cedo se interessou pelo forró. A transição para a música popular veio, mas não sem esforço.

“A formação erudita não prevê a improvisação. Não tem o conceito de suíngue”, conta. “A minha impressão é que tive que recomeçar a tocar”. Ele ganhou o Prêmio Visa na categoria júri popular e lançou o CD Violino Popular Brasileiro em 2004.

“A maneira que o Ricardo Herz toca o violino, ele tenta muito se aproximar da escola da rabeca, do Nordeste”, diz Yamandú. “Ele traz essa vontade de tocar a música do Nordeste. Então esse CD que a gente gravou, ele é bem brasileiro, entende? Ele tem um pouco de tudo. Tem as influências que eu trago lá do Sul, da música de fronteira, tem a linguagem do choro, tem a linguagem da música latino-americana, armorial. Então ele é bem amplo, abraça várias vertentes”.

“Acho que são dois instrumentos que se completam bem”, completa Herz. “Nossa personalidade musical deu certo no palco”.

Yamandú e Ricardo Herz já haviam se encontrado em alguns shows, para o Sesc e a Caixa Cultural. “Ficou tão bom que a gente disse: ‘Vamos gravar, pra não esquecer os arranjos’”, lembra o violinista.

Diversidade sonora



O violino de Ricardo Herz e o violão de Yamandu Costa marcaram o encontro no estúdio da casa de Yamandú, no Rio. Mas decidiram fazer um disco todo autoral. Há parcerias, músicas só de Herz e outras só de Yamandú.

"Na primeira sessão de gravação, em dois dias, fizemos oito músicas", conta Yamandú. "A partir dessas oito músicas, o álbum ganhou uma cara, uma característica. A gente encontrou um som, encontrou uma maneira de tocar no estúdio também...".

O resultado deixou a dupla animada. "Mas a gente pensou: 'Puxa, vai ficar faltando música. A gente vai precisar se encontrar mais uma vez pra gravar mais quatro faixas", lembra o violonista. "E aí, essa outras quatro faixas a gente compôs".

E essas novas composições já surgiram no espírito da diversidade sonora que o disco vinha apontando.

"Compomos músicas com características que faltavam no álbum", conta Yamandú. "Então o álbum está redondinho, rapaz. Você escuta ele de ponta a ponta... Tá supergostoso, tô muito feliz com o resultado".

Yamandú Costa é um homem de parcerias. "Ele tem esse estúdio na casa dele e sempre que chega um amigo no Rio, ele chama para gravar lá", conta Herz. Essa produção o faz ter alguns discos "na manga": vai gravando, depois espera o momento ideal de lançar. O disco com Ricardo Herz ficou tão ao gosto da dupla que eles decidiram mostrá-lo logo às pessoas. Os elogios não tardaram: o disco foi apontado como um dos melhores álbuns instrumentais do Brasil em 2018. Um encontro que rendeu ainda mais do que se esperava.

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