domingo, 15 de setembro de 2019
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‘Blacksad’ mostra gato detetive cruzando o caminho da tragédia

Renato Félix / 12 de julho de 2019
Foto: Reprodução
O detetive Blacksad começa a trama de seu quinto álbum, Amarillo, em Nova Orleans, mas logo que põe em movimento: aceita o convite de um milionário mexicano para guiar um Cadillac até a cidade do ricaço. Ele não procura encrenca, mas a encrenca o procura: seu caminho vai se cruzar com uma dupla de escritores beatniks vivendo perigosamente.

Criada pelos espanhóis Juan Diaz Canales (roteiro) e Juanjo Guarnido (desenhos) e publicada primeiro na França pela editora Dargaud, a série policial bebe na fonte dos filmes noir americanos, mas com um diferencial: os personagens são retratados com a feição de animais. Em geral, não exatamente bichos antropomorfizados, mas corpos humanos com cabeça de animais variados.

Assim, John Blacksad é um gato, e os dois escritores-problema deste volume são Chad, um leão, e Abraham, um bisão. Chad vive um bloqueio literário e o colega autodestrutivo o pressiona diariamente em direção ao abismo.

As histórias se cruzam quando, no meio da viagem, a dupla rouba o carro que está sob os cuidados de Blacksad. Com um trabalho a cumprir, o gato parte em busca da dupla acompanhado pelo agente literário de Chad, Neal (uma hiena).

A trama vai ganhar seu clímax num circo, onde Guarnido tem as maiores possibilidades de exercitar seu talento para os detalhes, e onde cada quadro merece uma apreciação ainda mais demorada.

A arte segue belíssima, transformando gatas em lindas mulheres, usando bem os cenários do interior dos Estados

Unidos, e sempre com ótimas escolhas de enquadramento para ressaltar as emoções de cada cena.

Os álbuns anteriores da série são Algum Lugar em Meio às Sombras (2000), Artic Nation (2003), Alma Vermelha (2005) e O Inferno, o Silêncio (2010), todos lançados pela Sesi-SP a partir de 2017. Amarillo, lançado na França em 2014 é, até agora, o último da série. Um sexto álbum está a caminho e Guarnido disse, em uma entrevista na França em 2017, que demoraria pelo menos dois anos. Vamos esperar.

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