sexta, 19 de abril de 2019
Geral
Compartilhar:

Vitória de ‘Green Book’ no Oscar tem sido apontada como equívoco

Renato Félix / 26 de fevereiro de 2019
Foto: Sivulgação A.M.P.A.S.
Aconteceu de novo. Nos últimos sete anos, os prêmios de melhor filme e melhor direção foram para filmes diferentes em cinco. E sempre da mesma maneira: o prêmio de direção fica com a obra de estética mais ousada, o de filme vai para um trabalho de linguagem mais conservadora, mas com um tema importante socialmente. E este ano, abrir mão de Roma por Green Book — O Guia, que acabou ficando com a principal categoria da noite, tem sido apontado como um dos grandes equívocos do Oscar nos últimos anos.

A imprensa americana tem comparado este resultado com o de 2007, quando Crash — No Limite venceu O Segredo de Brokeback Mountain, configurando uma das maiores injustiças da história do prêmio. “Green Book é o pior vencedor de melhor filme desde Crash”, estampou com todas as letras o Los Angeles Times, em texto de Justin Chang.

Foi a cereja do bolo da também pior cerimônia do Oscar dos últimos anos, mais infeliz que a malfada premiação de 2011 com James Franco e Anne Hathaway como mestres-de-cerimônia. Este ano, a Academia optou por não ter um mestre-de-cerimônias, em sua obsessão por encurtar a duração do show. Foi um erro. Um dos.

O que também levou a uma cerimônia absolutamente pobre de ideias. Sem qualquer momento de celebração ao cinema, nem um mísero clipe temático de grandes filmes, o Oscar se resumiu a aberturas de envelopes e discursos, um atrás do outro.

Qualquer momento de emoção dependeu exclusivamente de quem ganhou, como o pulo de Spike Lee no colo do velho parça Samuel L. Jackson ao ser anunciado vencedor de melhor roteiro, ou o discurso cheio de graça e muito emocionado de Olivia Colman, que tirou o prêmio de melhor atriz de Glenn Close (que foi dormir ainda como a atriz mais vezes indicada sem vencer: sete).

A sucessão de entrega de prêmio só foi quebrada pelas apresentações das canções indicadas (e só quatro, a de Pantera Negra ficou de fora). Aí, houve uma repercussão positiva na internet a respeito da perfomance de Bradley Cooper e Lady Gaga em “Shallow”, mesmo que calculada muito além da conta e sem uma gota de naturalidade.

Voltando ao prêmios, o Oscar perdeu a oportunidade de fazer história premiando, pela primeira vez, um filme de língua não inglesa na categoria principal. Não o fez e essa combinação favorável é bem difícil de voltar a ocorrer: um filme de língua não inglesa, como Roma, pintar na temporada de prêmios com força de premiação em um ano em que o cinema americano não entregou um ou dois favoritos absolutos.

Aliás, nenhum dos oito indicados ao Oscar de melhor filme saiu de mãos abanando. Cada um levou pelo menos um Oscar para suas estantes. Quem saiu com mais estatuetas foi Bohemian Rhapsody (quatro), mais uma prova de que o cinema médio saiu vencedor este ano. Roma, por sua vez, ficou com os prêmios de melhor direção, fotografia e filme estrangeiro. Os três recebidos por Alfonso Cuarón, que, junto com nomes como Francis Ford Coppola e Billy Wilder, se torna o segundo colocado em número de Oscars recebidos na mesma noite. O recordista é Walt Disney (quatro, em 1953).

Relacionadas