segunda, 24 de junho de 2019
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Versões do Homem-Aranha convergem em premiada animação

André Luiz Maia / 09 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Imagina só se não tivesse apenas um Homem-Aranha, mas sim vários e eles se juntassem em uma história só? Não precisa imaginar mais, já que a Sony, depois do acordo em que cede o personagem live-action para a franquia da Disney-Marvel, apresenta uma animação promove esse crossover ambicioso (e não são os Vingadores) em uma animação que foi premiada domingo pelo Globo de Ouro.

Homem-Aranha no Aranhaverso nos apresenta não o universo já conhecido de Peter Parker, mas sim o de Miles Morales, um jovem estudante negro de ascendência hispânica. Trata-se de um filme que não exatamente apresenta esse personagem até então inédito nos cinemas, mas sim uma espécie de aventura de amadurecimento, que os americanos costumam chamar de coming of age”, misturada com esse crossover de diversos personagens de personagens paralelos, inclusive o próprio Peter Parker.

Tudo começa com a chegada de Miles ao novo colégio, uma escola particular no centro de Nova York, longe de seu bairro de origem, o que o força a ter que recomeçar sua teia social novamente. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com novas responsabilidades, a pressão do seu pai policial e acontecimentos estranhos na cidade, Miles conhece a paixão quando encontra a jovem Gwen Stacy.

Quando Miles é picado por uma aranha completamente estranha, o garoto começa a perceber que sua história é muito parecida com o do herói dos quadrinhos que lê, o Homem-Aranha. Personagens já conhecidos da franquia, como o Rei do Crime, reaparecem aqui. Ele, por sinal, é o pivô da confusão transdimensional do desenho, já que um de seus planos acaba abrindo uma fenda no espaço-tempo que traz diversas versões dos personagens para o universo de Miles.

Vemos desde Peter Parker até uma versão mais “noir” do herói, que é um detetive vindo diretamente dos anos 1930. No estilo dos animes, desenhos animados japoneses, surge Penn Parker, uma garotinha que vive acompanhada de seu robô gigante vindo do futuro. Até mesmo um Porco-Aranha (lembram da piada em Os Simpsons — O Filme?) dá as caras, dando tonalidades de humor à história.

Presos na dimensão de Morales, a missão é evitar os avanços do Rei do Crime e levar os heróis às suas respectivas dimensões, antes que a instabilidade causada pela saída deles acabe aniquilando os universos de todos.

Outra “estreia” que o filme proporciona é o surgimento de Spider-Gwen, a versão super-heroína de Gwen Stacy, que surgiu nos quadrinhos e ainda não havia ganhado espaço em uma aventura na telona (mas, sim, no Disney Channel, na série Marvel Rising). Por falar em quadrinhos, a estética da animação brinca o tempo todo com sua origem, resultando em uma identidade visual rica e bastante característica.

Os traços dos personagens de outras dimensões são bem distintos e o roteiro aproveita isso para gerar momentos engraçados e curiosos. Se você espera traços realistas, esqueça: Homem-Aranha no Aranhaverso, mesmo utilizando 3D para a construção de cenários e movimentos, abraça o cartunesco sem medo, uma raridade em um universo de animações cada vez mais computadorizadas.

Duas versões populares nas HQs



Apesar de ser a primeira vez de Miles Morales e da versão super-heroína de Gwen Stacy nos cinemas, os personagens são bem conhecidos dos fãs da franquia nos quadrinhos.

Miles Morales apareceu pela primeira vez em Ultimate Fallout #4, lançada em agosto de 2011 (no Brasil, Ultimate Marvel #27, em 2012), após a morte de Peter Parker naquele universo específico. Mas Morales não é o personagem principal na série de TV animada Ultimate Spider-Man, que estreou em abril de 2012 no Disney XD, sendo acrescentado à história posteriormente, em 2016.

Já Gwen Stacy, namorada do Aranha nos anos 1960 e 1970, morta tragicamente pelas mãos do Duende Verde em 1973, numa das histórias mais famosas dos quadrinhos, foi repaginada para o projeto Aranhaverso, uma jogada ousada do roteirista Dan Slott. O resultado foi uma história que reuniu todas as versões existentes do herói ao longo de sua história, além de originais. Uma delas, a Mulher-Aranha da Terra 65, onde a heroína era uma versão da antiga namiorada do Aranha e que ficou conhecida carinhosamente pelos fãs como Spider-Gwen, que foi extremamente bem recebida. Tanto é que chegou às animações Marvel Rising, na TV, e Aranhaverso, no cinema.

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