sexta, 19 de abril de 2019
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Verão Mares de Conde termina com shows de Cabruêra e Radiola Serra Alta

André Luiz Maia / 02 de fevereiro de 2019
Foto: Rafael Passos/Divulgação
Fevereiro começou e, para muita gente, as férias terminaram. Ainda assim, há tempo de curtir mais um fim de semana de verão na praia de Jacumã, em Conde. O Verão Mares de Conde termina hoje, com shows das bandas Cabruêra e Radiola Serra Alta.

Também tem apresentação de Jamila, que deveria ter acontecido no fim de semana passado, mas foi adiado por conta da queda de energia ocasionada por fortes chuvas na cidade. O dia 2 de fevereiro também é conhecido pela data em que se celebra Iemanjá, portanto, é possível esperar algumas homenagens à entidade do candomblé.

A Cabruêra abre 2019 com as comemorações referentes aos 20 anos de carreira do grupo, apresentando um show que resume esta trajetória musical. Canções dos discos Cabruêra (2000), O Samba da Minha Terra (2004), Sons da Paraíba (2006), Visagem (2010) e Nordeste Oculto (2012) aparecem no repertório, mas também há uma brecha para material novo.

Ainda sem título definido, o disco será lançado ainda neste semestre. “Nosso sexto álbum traz dez músicas novas, com produção musical do colombiano Felipe Alvarez. É um processo de continuidade do disco anterior”, explica o vocalista da Cabruêra, Arthur Pessoa. Em Nordeste Oculto, o grupo explorou as semelhanças e proximidades da música nordestina com ritmos estrangeiros, a exemplo da música indiana.

Agora, a ideia é expandir esses diálogos. O repertório do novo disco já havia começado a ser formatado logo após a finalização de Nordeste Oculto. No entanto, houve mudanças no percurso. “Infelizmente, nosso produtor, Alberto Marsicano, responsável por trazer o som das cítaras para o registrou, faleceu no meio do caminho. Foi com a chegada de Felipe Alvarez que retomamos esse processo”, pontua Arthur Pessoa.

Alvarez também produziu discos de bandas como a colombiana Bomba Estéreo, que ganhou repercussão mundial com seu trabalho híbrido, misturando ritmos latinos e música eletrônica. “Sua adição tem uma contribuição no quesito técnico e sonoro do disco bem evidente. Esse hibridismo está cada vez mais em nosso trabalho. Damos continuidade a essa linguagem, que é ressignificar a música nordestina e brasileira com outras linguagens”, completa Arthur Pessoa.

Para o mundo. O caminho da Cabruêra é bem atípico para um banda paraibana. Antes mesmo de conquistar alguma visibilidade no panorama nacional da música independente, foi no exterior que o grupo formado por Arthur Pessoa (violão esferográfico, escaleta e voz), Edy Gonzaga (baixo e vocais), Leonardo Marinho (guitarra) e Pablo Ramires (bateria e vocais) conquistou espaços e prestígio.

Em 2019, ano de comemoração das duas décadas de atividades, eles devem fazer uma circulação por países europeus durante o verão naquele continente, entre os meses de junho e julho. No meio disso, eles já estão com contrato assinado para tocar em um dos maiores festivais do Leste Europeu, na República Tcheca. “Não queremos revelar ainda mais informações porque eles ainda não divulgaram em suas redes oficiais, mas em breve vocês ficarão sabendo”, justifica Arthur.

Essa janela se abriu logo no começo da carreira. No Abril Pro Rock de 2000, em Recife, produtores de festivais de música da Europa circulavam pelo Brasil em busca de nomes interessantes fora do mainstream que poderiam figurar nos line-ups. “Este ano, a gente completa 100 shows internacionais, desde aquela época até hoje”, complementa o vocalista da Cabruêra.

Híbrido. Outra atração da noite, a dupla pernambucana Radiola Serra Alta encerra o Verão Mares de Conde vindo diretamente da cidade de Triunfo, promovendo uma fusão entre a música nordestina e o eletrônico.

Trajados de figuras tradicionais do Carnaval triunfense, a Veinha e o Careta, a dupla realiza espetáculos inusitados, já que trazem também elementos da cultura popular de sua região, o Alto Sertão do Pajeú.

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