sexta, 22 de janeiro de 2021

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Vânia Perazzo aborda o mundo dos excluídos em ‘O Egito de Moisés’

Audaci Junior / 21 de março de 2017
Foto: Divulgação
“Antes de mais nada, é uma declaração de amor à língua portuguesa”, define a escritora e cineasta paraibana Vânia Perazzo acerca do seu novo livro, O Egito de Moisés (Chiado, 114 páginas).

“Morei em Paris e, quando batia a saudade, lia o dicionário Aurélio. Uma vez, me surpreendi abraçando o livro... De volta ao Brasil, descubro encantada, a canção ‘Língua’ de Caetano Veloso. E esse sentimento ficou adormecido em algum lugar de mim mesma”.

Perazzo transferiu essa paixão para o protagonista, um garoto de 12 anos gerado pela má sorte da mãe num jogo de baralho, que desconhece o pai que fugiu numa “Romaria”.

“O meu Moisés representa uma criança vítima da exclusão social para quem, como escritora, ofereço uma saída: inteligente, faço um dicionário chegar às suas mãos, levando-o a descobrir a etimologia das palavras e ali, uma origem, um lastro, para um filho de mãe solteira – classificando-se como um ‘projétil’, que descobre na letra ‘P’, quando busca a etimologia de ‘pai’”.

Apesar do nome bíblico, o Moisés de Perazzo não pratica nenhuma religião. “Sua mãe brigou com os padres por causa das exigências da Igreja com relação ao batizado de uma criança. Ele tem suas próprias ideias da criação do mundo, fruto do que ouviu falar e da sua imaginação”, explica. “Seu nome, foi resultado do desejo da sua avó de que ele, crescendo, libertasse a família daquele ‘Egito’ (pobreza) como o Moisés bíblico libertou seu povo da escravidão”.

Assim como o personagem, Vânia julga que as pessoas necessitam do sentimento de pertencimento. “No romance, foi a conclusão a que chegou Moisés, vendo sua mãe defendendo um dogma religioso para justificar sua opinião. O pertencimento vai desde a família, partido político, torcida de futebol, classe social, religião, país e até ao Estado Islâmico”.

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