sexta, 19 de abril de 2019
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Últimos dois concorrentes ao Oscar de melhor filme estreiam em JP

André Luiz Maia / 31 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Com as estreias desta semana, temos um cenário que há muito tempo não se via em João Pessoa: todos os indicados ao Oscar de melhor filme estão ou estiveram disponíveis de maneira oficial para os cinéfilos paraibanos.

Hoje, entram A Favorita, de Yorgos Lanthimos (O Lagosta, O Sacrifício do Cervo Sagrado), e Vice, de Adam McKay (A Grande Aposta). Também permanecem em cartaz Infiltrado na Klan, de Spike Lee, e Green Book — O Guia, de Peter Farrelly.

Bohemian Rhapsody, Nasce uma Estrela e Pantera Negra já foram exibidos e Roma, de Alfonso Cuarón, está na Netflix.

A Favorita já havia sido lançado nacionalmente na semana passada, mas só agora deu as caras por aqui. Trata-se de um filme de intrigas repleto de humor ácido e sarcasmo, centrado no verdadeiro jogo de xadrez entre duas figuras da corte britânica, interpretadas por Rachel Weisz e Emma Stone, que disputam o afeto da Rainha Anne, vivida por Olivia Colman, uma figura em constante tensão, por conta de disputas políticas e saúde debilitada.

O trio que movimenta a trama está indicado às categorias de atuação, mas quem está se destacando é Colman, que ganhou o Globo de Ouro de atriz em comédia ou musical. O papel repleto de camadas, assim como as roupas cheias de panos da monarca, esconde aspectos da personalidade que vão se descascando feito uma cebola através da narrativa conduzida por Lanthimos. Seu desempenho é um risco ao favoritismo de Glenn Close ao prêmio de melhor atriz.

“Colman é uma atriz estupenda, que nunca teve chance para brilhar antes como em A Favorita. Justamente por isso, seu reconhecimento (mesmo que tardio) é muito bem-vindo. Este é um papel divisor de águas em sua carreira e a artista se entrega de cabeça”, afirma Pablo Bazarello, do site Cinepop. A atriz britânica continuará monarca na nova temporada de The Crown, série da Netflix, na pele de Elizabeth II.

Casa Branca. A outra estreia da semana, Vice, também se destaca pelo trabalho de ator. Christian Bale impressiona em sua caracterização como Dick Cheney, o vice-presidente de George W. Bush — o filho, que governou os Estados Unidos durante os primeiros anos do século XXI. Ex-presidente de uma empresa petrolífera, Cheney acabou exercendo muito mais do que a função decorativa de um vice, se tornando um dos homens mais poderosos do país.

Suas ações, dentre outras consequências, redefiniram regras, derrubou ditaduras, mas também abriram espaço para que grupos terroristas como o Estado Islâmico conquistassem um poder nunca antes obtido por esses radicais, aprofundando a crise humanitária e política no Oriente Médio, com efeitos devastadores até hoje.

Uma história pesada, de fato, mas que é contada de maneira irônica e sarcástica por McKay, em um expediente semelhante ao seu filme anterior, que explicava de maneira didática e bem-humorada como grupos de investidores abriram terreno para a grande crise econômica mundial de 2019.

Para viver Dick Cheney, Bale teve que engordar, utilizar próteses e uma maquiagem pesada, envelhecendo sua fisionomia em muitos anos. Mas, para além dos detalhes técnicos, sua atuação impressiona desde o tom de voz até os trejeitos, muito próximos à figura real da política norte-americana. Ele já venceu o Globo de Ouro de ator em comédia ou musical e o Critic’s Choice Awards, mas perdeu o SAG para Rami Malek em Bohemian Rhapsody.

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