sexta, 05 de março de 2021

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Trajetória de Chico Buarque é narrada por fotos compiladas em livro

Kubitschek Pinheiro / 09 de abril de 2019
Foto: Daryan Dornelles/Divulgação
Chico Buarque em 3x4, em retratos brancos e pretos e coloridos. Em toda parte. Centenas de fotografias da vida e obra de Chico Buarque estão espalhadas no livro 'Revela-te, Chico — Uma Fotobiografia', organizado pelo designer pernambucano Augusto Lins Soares. Os textos são do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, que empatam com as imagens, que reluzem na obra. Lá está o Chico de todos, para todos.

A obra é um rico documento, tanto para colecionadores quanto para gerações futuras, com os registros sobre o filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Chico e suas facetas como apresentador de tevê, ao lado de Caetano Veloso, e de ator, no filme Quando o Carnaval Chegar (1972), de Cacá Diegues, do qual foi também um dos roteiristas. O Chico zagueiro, o trovador e em muita turnês onde mulheres e homens gritam seu nome repetidas vezes.

O titulo, segundo o organizador, foi sugerido pela consultora editorial do projeto, Nigge Loddi. “Daí acrescentamos o subtítulo. Segundo ela, o livro traz uma revelação iconográfica inédita de Chico”, disse Augusto Lins Soares em entrevista ao CORREIO.

Outras fotobiografias já foram registradas no Brasil, mas a de Chico Buarque tem seus encantos, pela beleza do personagem e importância cultural. “Porque Chico é um dos maiores ícones da cultura brasileira nos últimos 50 anos”, anuncia.

Do Chico menino até as aventuras da adolescência, o início da carreira, os velhos festivais, shows, peças. Chico com Vinicius de Moraes, jogando futebol, na PUC-Rio numa provocação do professor Affonso Romano de Sant'Anna e ao lado de Lula, Fidel. Com Betinho, o irmão de Henfil, conversando com o arquiteto Oscar Niemeyer. Ele e Caymmi, além de Jô Soares e com sua adorável babá. Benedita Motta. Chico deitado numa rede tocando violão e com Bob Marley.

Tudo foi garimpado

“Em vários acervos públicos e privados: institutos, museus, fundações, editoras, bancos de imagens, arquivos de fotógrafos e de família”, disse Soares.

Para o autor os textos colam nas imagens de uma maneira bem intima. “Todos os textos de Joaquim Ferreira dos Santos foram produzidos especialmente para o livro a partir de seu conhecimento jornalístico e de pesquisas bibliográficas. Já os textos que acompanham os retratos artísticos, no final do livro, foram feitos pelos próprios artistas”.

E segue: “A linha do tempo foi feita com fotos de arquivo de família e de vários outros acervos: institutos, museus, fundações, editoras, bancos de imagens e arquivos de fotógrafos”, arremata.

Soares lembra que não teve essa coisa de ir conversar com Chico sobre a produção do livro. “Na verdade, a única participação de Chico foi licenciar o uso de sua imagem no livro, já que é uma fotobiografia. Em nenhum outro momento, ele participou do processo de produção".

No miolo da obra vamos encontrar uma imagem de Chivo pintado por Di Cavalcanti e seguem com colagens e montagens da imagem do cantor e compositor. “Esse bloco artístico é a última parte do fotobiografia e dá continuidade à narrativa visual, que desenha toda a obra. Não é um capítulo à parte. Essas obras artísticas foram pensadas e produzidas especialmente para o livro e, na verdade, revelam uma surpresa final”.

No passeio pelas 240 páginas, temos o registro de 50 fotógrafos. Entre eles: Adhemar Veneziano, Adriana Pittiglianni, Alécio de Andrade, Bob Wolfenson, Bruno Veiga, Carlos Horcades, Cristiano Mascaro, Cristina Granato, David Drew Zing, Fernando Seixas, João Farkas, João Wainer, Leo Aversa, Luiz Garido, Marisa Alvarez Lima, Maureen Bisilliat, Paulo Garcez, Paulo Salomão e Ricardo Chaves. Há fotos inéditas, outras raras, sendo que a maioria resgatada de momentos fundamentais da trajetória do artista.

Após cem capas de discos e mais de mil retratos de cantores e músicos variados publicados em revistas, Daryan Dornelles assina a capa do livro de Chico. “O fato de estar participando do livro já é uma satisfação enorme, uma foto minha ser escolhida para capa no meio de tantas imagens lindas e importantes, é um momento de felicidade que vou lembrar sempre”, disse.

Outro destaque é o retrato de Chico feito por Cristiano Mascaro, em Roma, durante o autoexílio no período da ditadura militar, um registro do compositor com seu ídolo do futebol, Pagão, antigo centroavante do Santos, e um encontro reservado com Dom Helder Câmara — um mês antes da morte do arcebispo de Olinda, em 1999. Chico está por inteiro nesse livro.

"Nesse livro, Chico desfila sua diversidade como artista, personalidade, cidadão, família, parceiro, esportista, intelectual, etc." - Augusto Lins Soares, organizador do livro

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