sexta, 22 de janeiro de 2021

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Sintomas da infecção urinária nas crianças são difíceis de perceber; problema é pior em bebês

Lucilene Meireles / 08 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Infecção urinária é um problema difícil de ser percebido em casa nas crianças, principalmente nas recém-nascidas. Quem imaginaria que vômito e pouco ganho de peso poderiam ser sintomas do problema? Por isso, os pais devem ficar atentos a esses sinais, pois nos pequenos, que têm um sistema de defesa ainda em formação, há o risco de se agravar em pouco tempo, levando à septicemia e à morte. De 2015 a fevereiro de 2017, o problema levou a óbito 22 crianças com idade até dois anos, na Paraíba, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

O risco de sepse (infecção generalizada) é maior nos bebês até quatro meses. “A bactéria corre mais na corrente sanguínea devido à baixa imunidade. Se for diagnosticada infecção urinária, tem que ser internado pelo risco de sepse”, esclareceu o pediatra Fabiano Oliveira Alexandria. Ele ressaltou que, quando o bebê tem uma sepse, os focos são aparelho digestivo, urinário ou respiratório, passando a bactéria para a corrente sanguínea.

“A criança pode ter bacteremia, choque séptico e parada respiratória por causa da infecção urinária. A sepse significa que a bactéria chegou ao pulmão, coração e cérebro”, enfatizou. Nas crianças maiores, até dois anos, é possível tratar em casa, caso não haja sinais de gravidade.

A infecção urinária, apesar de não ser a doença mais prevalente em crianças, é a segunda que traz mais preocupação aos médicos, perdendo apenas para os problemas respiratórios.

Sintomas

Em relação aos sintomas, o médico explicou que existe diferença entre a criança pequena, com poucos meses, e a maior. Nas mais novas, os sintomas são falta de apetite, perda de peso ou não consegue ter um ganho adequado. Pode ter febre, mas também há casos em que não apresenta aumento da temperatura.

Os pais devem observar ainda a ocorrência de vômitos, desconforto abdominal quando coloca a fralda ou apalpa a barriguinha. Nos bebês, não há ardor miccional como no adulto. Nelas, o desconforto na hora do xixi está mais ligado a cólicas. Se a mãe teve infecção urinária no final da gravidez, o bebê pode ter. “Sempre que perceber que um bebê pequeno não está bem, tem que pensar em infecção urinária e procurar ajuda médica”, ensinou.

Nas crianças com até dois anos de idade, os sintomas de infecção urinária são maior frequência para urinar, irritabilidade na hora do xixi, vômito e dor abdominal. “A febre é, nesse momento, um ponto importante, já que nesta faixa, eles têm febre por conta da infecção”, ressaltou.

Mais facilidade de infecção em meninas 

Tanto meninos quanto meninas podem desenvolver uma infecção urinária, mas nelas a probabilidade é maior. O pediatra Fabiano Alexandria explicou que, nos meninos, o pênis oferece uma proteção maior. Já nas meninas, o surgimento da infecção tem muito a ver com a questão de asseio, contaminação fecal, demora na troca da fralda.

“A fralda foi feita não para a criança ficar muito tempo sem trocar. Tem que haver frequência. Além disso, fralda noturna não é para passar a noite toda. Ela tem mais gel e oferece mais segurança contra vazamento. Porém, a urina em contato com a pele oxida e queima, podendo surgir uma dermatite de contato q é uma porta para infecção e fungos”, alertou.

Alexandria observou ainda que crianças que são cuidadas por outras pessoas também têm maior risco de desenvolver infecção urinária.

Diagnóstico

Dois exames são importantes para o diagnóstico da infecção urinária, a urocultura que detecta o nome do germe, e o sumário de urina, que diz se houve mudança de ph, entre outros fatores. É preciso, porém, ter muito cuidado na coleta. “Tem que higienizar muito bem, colocar o saquinho coletor, esperar 20 minutos. Se, depois desse tempo, não fizer, tem que trocar o saquinho”, ensinou Alexandria.

Prevenção        

Quando uma menina tem a infecção urinária uma vez, é preciso ficar de olho na frequência. Se tiver um segundo episódio antes dos quatro anos, tem que fazer exame de imagem. “Mais de uma vez não é comum e pode ser indício de malformação, cálculo. No menino, na primeira infecção já é bom fazer ultrassom, exame não invasivo que pode ser feito durante a infecção”, ensinou o pediatra.

Alexandria acrescentou que, nos casos de infecção mais intensa, pode ocorrer a presença de raios de sangue na urina. “Se o aparelho urinário fica vascularizado, rompe pequenos vasos. Nesse caso, tem que pensar em cálculo renal também”, observou.

O médico concluiu que, considerando as três doenças mais prevalentes nos primeiros anos de vida, as infecções respiratórias e do aparelho digestivo representam 80% e as infecções urinárias, 20%.

Bactérias que causam a infecção urinária

 E. coli

Proteus

Klesbsiella

Staphylococcus saprophyticus

Enterocuccus

Enterobacter

Pseudomonas

Streptococcus Grupo B

Staphylococcus aureus

Staphylococcus epidemidis

Haemophilus influenza

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