domingo, 07 de março de 2021

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Sérgio de Castro Pinto é o homenageado do Agosto das Letras

André Luiz Maia / 19 de agosto de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
"Ninguém escreve só". O veredito de Sérgio de Castro Pinto, principal homenageado do Agosto das Letras 2017, parece contradizer o senso comum, de que a escrita é um ofício solitário, do autor e sua missão de preencher a página vazia. No entanto, ele concorda que há uma porção de verdade neste raciocínio.

As influências que teve ao longo da vida vieram da relação com a poesia de outros escritores e com as observações do cotidiano. No entanto, é nos momentos como esta homenagem que recebe do Agosto das Letras que ele sente o retorno do público de maneira mais contundente.

Amanhã, ele participa de um bate-papo mediado por Lau Siqueira, secretário de Cultura da Paraíba, e Jamarri Nogueira, jornalista, apresentador do programa Tabajara em Revista, na Rádio Tabajara. "Eu vou falar sobre minha trajetória, sobre o que eu penso sobre literatura. Deve ser um bate-papo bacana, Jamarri e Lau são dois caras ótimos, figuras", comenta o escritor.

A programação ainda contará com duas programações musicais envolvendo o poeta: Cantus Popularis, show de Paulo Ró que inclui poemas musicados de Sérgio no repertório, e a participação no show Uma Rosa na Face, do cantor, ator e diretor André Morais. Sérgio declamará a poesia "Essa lua".

Em 2017, ele comemora 70 anos de idade e 50 anos de carreira, iniciada em 1967 com a publicação de Gestos Lúcidos. Essa história foi contada no livro escrito por sua filha, Maria Cecília de Castro Pinto Almeida, Sérgio de Castro Pinto - 70 Anos de Vida e 50 de Poesia. No próximo mês, ele também apresenta a antologia Folha Corrida, apresentando uma seleção dos poemas publicados ao longo dessa trajetória, indo até A Flor do Gol (2014) e um pequeno material inédito.

Livre das influências

No início, suas principais influências na escrita eram Augusto dos Anjos e José Cabral de Melo Neto. No entanto, ele precisou cometer um "parricídio", como o próprio define, para fazer florescer uma personalidade poética própria.

"Quando a gente começa a escrever, somos afetados por essas influências, que com o tempo chegam a ser maléficas. Começamos a mimetizar os autores que gostamos e que se aproximam da forma como queremos nos expressar. Mas é preciso se desvencilhar disso eventualmente", comenta o poeta. O recurso libertador, em autoanálise, seria a ironia e o humor.

O poeta afirma que, seja através de qualquer recurso, o pepl do poeta em qualquer tempo é o de iconoclasta, aquele que rompe com os ícones. "Especialmente nesse momento atual, sombrio. A poesia precisa ser provocativa, despertar questões", argumenta.

Retomando o tópico do ofício solitário, Sérgio admite que sente certa inveja de outras artes, como o teatro e a música. "Um diretor de um espetáculo ou uma intérprete como Maria Bethânia conseguem testemunhar no ato a reação do público ao seu trabalho. Nós escritores conseguimos um pouco, mas não temos acesso na hora em que um chiste causa uma expressão de surpresa, um verso irônico causa o riso ou o cenho franzido do leitor", pontua Sérgio.

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