segunda, 24 de junho de 2019
Saúde
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Glaucoma afeta mais de 77 mil pessoas na Paraíba

Lucilene Meireles / 22 de maio de 2018
Foto: Arquivo
O glaucoma é uma neuropatia crônica, progressiva, que aumenta a pressão no interior do olho, afetando o nervo ótico e as fibras nervosas de

forma irreversível. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que cerca de 4% da população a partir de 40 anos de idade têm o problema. O

mais grave é que os sintomas só são percebidos quando a doença está avançada, o que eleva o risco da perda total da visão. Sábado, 26, é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma.

A professora doutora do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Aganeide Castilho Palitot, afirmou que o tipo mais comum é o de ângulo aberto. “Este é o de maior incidência e é silencioso. Quando o paciente vem relatar problema no campo visual, já perdeu boa parte da visão e não há tratamento eficaz para reverter. É preciso controlar a pressão. Com o tratamento, há uma melhor qualidade de vida para o paciente, protegendo o nervo ótico”, observou.

Ela explicou que, no glaucoma, a pressão intraocular se eleva e causa um dano no nervo ótico. A pressão normal deve estar entre 10 a 21 milímetros de mercúrio. A doença não tem cura e um dos sinais do avanço é a visão tubular, ou seja, com a perda da visão periférica.

Há quatro anos, a jornalista Eloise Elane Menezes convive com o glaucoma. Graças aos avanços da medicina, descobriu a doença a tempo e não perdeu a visão, como aconteceu com sua mãe, por conta do diagnóstico tardio. Conviver com o glaucoma, porém, exige disciplina para o uso diário e permanente de um colírio que mantém a pressão do olho estável. Dois de seus irmãos também têm o problema. “Quando descobri, disse ao médico que tinha casos na família e, a partir daí, já comecei a acompanhar. Me queixei de problema na visão periférica, principalmente em um dos olhos, e realmente foi detectado o glaucoma. O tratamento consegue estacionar. Não melhora, mas também não tem avançado”, relatou.

77,6 mil

É o número de pessoas acima dos 40 anos que têm glaucoma, na Paraíba, segundo estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

DESTAQUE

“Imagino quantas pessoas desempregadas precisam desse medicamento e não têm condição de comprar. É uma questão grave e é preciso que os órgãos públicos deem mais atenção a isso”. Eloise Elane Menezes, jornalista.

R$ 150

É o custo mensal do colírio usado por pacientes com glaucoma. Com o desconto, por ser um medicamento de uso contínuo, cai para R$ 98, segundo Eloise Elane. Um frasco é suficiente para 30 dias.

Programação

A equipe do projeto de extensão ‘Glaucoma em Evidência com Abordagem Interdisciplinar’, do Centro de Ciências Médicas da UFPB, coordenado pela professora Aganeide Castilho Palitot, promoveu um evento, semana passada, na universidade. O objetivo foi falar sobre o glaucoma, prestar esclarecimentos e oferecer informações à população da instituição.

Na próxima sexta-feira (25), haverá um evento de esclarecimento à população que está sendo atendida pelo SUS, no Centro de Acompanhamento de Glaucoma, no Memorial Santa Luzia, localizado na Avenida Ruy Carneiro, em João Pessoa. Haverá orientações e informações aos pacientes do SUS que estiverem no local durante toda a manhã.

Atendimento regulado em João Pessoa

Todo atendimento especializado do município de João Pessoa é regulado, ou seja, é preciso que o paciente procure a Unidade de Saúde da Famíila (USF) e informe ao clínico se há diminuição da acuidade visual, dificuldade de enxergar. Ele vai avaliar e, se identificar a necessidade, encaminha para oftalmologista. A informação é da gerente de Atenção Especializada, da Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, Andressa Cavalcante.

O serviço especializado funciona no Cais de Jaguaribe, com todo aporte necessário. A Prefeitura tem ainda convênio com clínicas particulares

e atende, além da Capital, municípios pactuados. Nas USFs, conforme Andressa, as equipes da atenção básica sempre conversam com os usuários sobre os cuidados com a saúde. A reportagem tentou ouvir a diretora do Centro Especializado em Oftalmologia de Jaguaribe, mas ela não atendeu às ligações.

“O ideal é cuidar da visão e buscar fazer isso com antecedência, mas as pessoas só procuram quando os sintomas estão avançados, prejudicando as funções do dia a dia. No mínimo incômodo, procure a USF do seu bairro”, ressaltou. Ela lembrou que não há evento programado para o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, já que as USFs realizam um trabalho contínuo de conscientização com os usuários sobre diversos aspectos da saúde.

Causas do glaucoma

- Hereditária – Se há um familiar em primeiro grau, como pais e irmãos, há uma chance maior de desenvolver o problema.

- Genética – O teste do olhinho é capaz de identificar o glaucoma congênito em recém-nascidos. O exame diagnostica também catarata congênita e tumores.

- Doenças – Se a mulher grávida teve rubéola até o terceiro mês de gestação, há chance da criança nascer com glaucoma ou outros problemas na visão.

- Viroses – O zika vírus está entre os que provocam problemas na visão. Geralmente, as viroses que acometem as gestantes no primeiro primeiro trimestre de gravidez afetam a parte visual da criança.

- Glaucoma secundário – Glaucoma secundário é aquele provocado por outra doença do olho.

- Medicação – Os colírios com corticóides, se usados de forma indiscriminada, podem contribuir para aumentar a pressão do olho. Só deve ser usado sob prescrição médica.

Fonte: Aganeide Castilho Palitot, professora do curso de Medicina da UFPB.

Tratamento

O tratamento do glaucoma, conforme a doutora Aganeide Castilho Palitot, depende do tipo da doença, mas o principal é o clínico, com colírios específicos e de uso contínuo. Em alguns casos, é feito o tratamento a laser e até mesmo cirurgias.

Quando procurar o médico

- Dor aguda nos olhos

- Visão distorcida

- Auréolas de arco-íris ao redor das luzes

- Dor de cabeça

- Náusea

- Vômito

Exames

É preciso realizar o exame oftalmológico periodicamente. Em um exame de fundo de olho, é possível avaliar o nervo, se há algum comprometimento. Associado a este, são feitos exames complementares, como o de campo visual, curva de pressão, paquimetria para medir a espessura da córnea, retinografia, tomografia, tonioscopia que vê se é de ângulo aberto ou fechado, tonometria para medir a pressão.

29.931

É o número de procedimentos realizados na Paraíba para glaucoma, segundo levantamento físico ambulatorial de tratamento de glaucoma em janeiro e fevereiro de 2017. A informação é da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

10%

É o percentual de casos de cegueira no mundo causado pelo glaucoma, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

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