sexta, 19 de julho de 2019
Saúde
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Empresários garantem ao Estado centro para pesquisa e tratamento da microcefalia

Ainoã Geminiano / 23 de abril de 2016
Foto: RAFAEL PASSOS
A Paraíba terá o primeiro centro de reabilitação específico para crianças com microcefalia, que será equipado com um moderno centro de pesquisas sobre a doença. O empreendimento partiu da iniciativa de um grupo de empresários, que se uniram à médica paraibana Adriana Melo, responsável pela descoberta da relação entre a Microcefalia e o vírus zika. O equipamento vai oferecer tratamentos como fisioterapia integrada e exames em várias especialidades, além de uma creche com cuidadores especializados. Além de tratar e pesquisar a doença, a iniciativa visa permitir também que as mães consigam retomar suas vidas profissionais, ao acolher as crianças em um dos turnos. O projeto tem o apoio do Sistema Correio de Comunicação e da prefeitura de Campina Grande, que doou o terreno onde o prédio será construído.

Apoio sem limites

Segundo Adriana Melo, as crianças com microcefalia terão que ser acompanhadas por muito tempo, não podendo receberem atenção apenas no atual momento, em que a doença está em evidência. “Nosso temor é sobre o que vai acontecer com essas crianças a longo prazo. Elas precisarão de estruturas semelhantes à Apae ou AACD, porque terão que ser estudadas, já que não sabemos nada sobre a evolução, se irão falar, andar ou qual potencial terão. Precisarão fazer ressonância a cada seis meses, exames auditivos, entre outros procedimentos. Para isso, precisamos de um grande centro de avaliações que permita que a ciência ande junto com a assistência. Não queremos mais pessoas que só chegam, pesquisam e vão embora”, disse.

Para conseguir acompanhar seus filhos, as mães tiveram que largar o trabalho e se dedicar integralmente aos cuidados. Por isso, além da construção do centro especializado, os empresários querem criar um fundo de apoio às mães de microcéfalos. “Ainda estamos discutindo como iremos funcionar, as formas de oferecer esses apoios, mas essa é uma das ideias nossas sim”, disse o empresário Josuel Gomes da Silva, pioneiro na iniciativa. Segundo ele, a construção do equipamento irá começar de imediato.

“Já temos uma ideia de criação, com a proposta de dar ao local a estrutura hospitalar e de pesquisa, mas sem aparência de hospital. Esse ambiente precisa ser acolhedor, porque estaremos tratando de um publico que não precisa ser rotulado como doente, além de que essas crianças precisam se senti acolhidas”, disse.

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