terça, 26 de janeiro de 2021

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Sandy retorna a João Pessoa quase dez anos após último show

André Luiz Maia / 18 de março de 2017
Foto: Divulgação
"Eu lhe dou o meu canto / nesse canto que é tão meu". Logo no início de seu novo show, Sandy revela o melhor que ela pode oferecer a quem se disponibiliza a visitar o seu canto, o palco. A turnê do DVD Meu Canto, passa hoje pelo Teatro Pedra do Reino. É o retorno da cantora a JP, após quase 10 anos.

Em uma década, muita coisa aconteceu. Em 2007, a Sandy se despedia da dupla com seu irmão, Junior, fenômeno pop poucas vezes visto no Brasil. Foi em JP, em 2001, o recorde de público da dupla, nas areias de Cabo Branco e Tambaú: mais de 1,2 milhão de pessoas, segundo as estimativas da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros na época.

Agora, no entanto, a proporção é outra. Com repertório mais amadurecido e em carreira solo, Sandy costuma se apresentar em locais fechados, com uma acústica que privilegie os arranjos, feitos principalmente em parceria com o marido Lucas, da Família Lima.

Para ela, essa transição foi bastante natural. "Eu tinha essa vontade de fazer mais intimista, menor, pois já tinha vivenciado aquilo tudo por muito tempo. Então foi natural essa vontade enxugar, de diminuir tudo. Foi aí que descobri que eu era uma artista de menores escalas", conta ao CORREIO, por telefone.

Apesar disso, uma música garantiu uma exposição que lembra, guardadas as proporções, um pouco dos tempos de sucesso massivo de Sandy & Junior. "Me espera", parceria com Tiago Iorc, já ultrapassou as 33 milhões de visualizações no YouTube e 10 milhões de reproduções no Spotify.

Sandy conhecia muito pouco o trabalho de Tiago, introduzida por seu marido e Raoni Carneiro, o diretor do DVD. "Fui gostando bastante e me identificando. Quando ele se apresentou em Campinas, lancei o convite de gravar algo juntos, mas só depois que isso se concretizou. Fiz uma viagem romântica com Lucas e a música foi surgindo e vimos que estava ficando com a cara do Tiago", explica a cantora.

O DVD conta com outras canções inéditas, a exemplo de "Respirar", sua canção de trabalho atual. Outras são "Colidiu" e "Salto". Como não pôde registrar a turnê de seu segundo disco solo, Sim, por conta da gestação de seu primeiro filho, aqui ela reúne as faixas deste e de Manuscrito, de 2010. Um novo disco só deve vir em 2018, então o DVD serviu para entregar material inédito para os fãs.

Chamado. Uma dessas canções é "Olhos meus", composição de Sandy em que divide os vocais no DVD com Gilberto Gil. "Foi muito emocionante", relata. "Ele é uma pessoa incrível e generosa, mas não sabia se aceitaria", conta Sandy.

No fim das contas, foi mais fácil do que ela previa. "Entrei em contato com a Flora Gil, esposa e empresária dele, e ela disse, 'claro, ele vai amar, liga lá em casa e fala com ele'. Eu disse: 'oi?'. Fiquei morrendo de medo e de vergonha, mas fui e liguei. Ele foi aquele gentleman que todo mundo já sabe e aceitou na hora", explica.

Avô. E também fez releitura de duas músicas de outros artistas. "All star", um dos maiores sucessos de Nando Reis. E, mais curiosa, "Cantiga por Luciana", campeã do 4º Festival Internacional da Canção, em 1968, composição de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, conhecida pela interpretação de Evinha.

A inclusão da música no repertório tem uma motivação bastante pessoal: é uma das canções favoritas de seu avô, Zé do Rancho. "Quando ele me ouviu cantar, ainda criança, achou que eu tinha talento e falou dela, que ficaria incrível na minha voz. Eu era muito nova, estudando e trabalhando ao mesmo tempo, nem lembro se cheguei a ouvir a música na época", conta.

Em 2007, quando Zé completou 80 anos, ela lembrou disso e gravou a música em um arranjo feito por Lucas Lima. Em 2015, o avô de Sandy faleceu. "Na gravação do DVD tinha completado um ano da morte e aí tive a vontade de fazer esse momento mais pessoal no show", justifica.

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