quinta, 13 de dezembro de 2018
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‘Ruy e a presidenta’ é o título do novo artigo do professor Trindade

João Trindade / 23 de setembro de 2018
Foto: Rafael Passos
Ruy e a presidenta

O Ruy em questão é Ruy Castro, colunista da “Folha de São Paulo”.

Em artigo escrito, há algum tempo, no jornal citado, o jornalista teve a infelicidade de fazer chacota sobre o termo presidenta, que voltou à baila graças à atual presidenta do país. Vejamos alguns pontos da coluna:

Tal lei serve apenas à teimosa vontade da presidente Dilma de ser chamada de presidenta, na ilusão de, com isso, estar valorizando as mulheres. E não adianta dizer-lhe que não é assim que a língua funciona. O problema é que, com a medida, ela obriga a que se parem as máquinas e se corrijam a jato todos os dicionários da língua portuguesa.

Porque, se Dilma agora é presidenta por decreto, também quero ser chamado de jornalisto, articulisto, colunisto ou cronisto.

Idem, os calistas, juristas, dentistas, arquivistas, criminalistas, ortopedistas, ginecologistas e médicos-legistas do sexo masculino, todos podem requerer diplomas de calistos, dentistos, arquivistos, criminalistos, ortopedistos, ginecologistos e médicos-legistos. O próprio Aloizio Mercadante, ministro da Educação e cúmplice da presidenta nessa emboscada contra a língua, deve exigir ser chamado de congressisto quando voltar ao Senado.

Pela novilíngua da presidenta, o sindicalista Lula teria sido um sindicalisto. Luiz Carlos Prestes, um comunisto. Millôr Fernandes, um humoristo. Luizinho Eça, um pianisto. Guimarães Rosa, um romancisto. O cego Aderaldo, um repentisto. Ayrton Senna, um automobilisto.

Dilma acha pouco ser presidenta. Quer ser também linguista.

A verdade é que Ruy castro, geralmente tão equilibrado, desta vez  “pisou na bola”. O termo presidenta existe, sim. E de há muito.

O que ocorre é que os substantivos terminados em “nte” muito geralmente são unformes; porém, há algumas variações. É o caso de elefanta (feminino de elefante); infanta (feminino de infante) e presidenta (feminino de presidente).  (Cf. Celso Cumha: Gramática da Língua Portuguesa. Fename, 1976. P.205).

Na verdade, o feminino de presidente pode ser presidente ou presidenta; apenas o segundo não era usual no Brasil, até a chegada da presidenta Dilma.

Falar sobre o que não se entende nem sempre é o melhor caminho!...

(Texto retirado do meu recente livro “Português descontraído”, editora Alumnus/Leya – 2018)

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