sexta, 26 de fevereiro de 2021

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Roberto Menezes lança novo livro “Palavras que Devoram Lágrimas”

André Luiz Maia / 09 de setembro de 2017
Foto: Divulgação
Roberto Menezes apresenta pela terceira vez um livro de nome Palavras que Devoram Lágrimas. O autor paraibano, no entanto, jura que não é o mesmo livro. “Considero esse livro inédito. Mesmo mantendo o mesmo título. Remake? Pode ser o que significa, dependendo o que significa essa palavra”, aponta. O livro, desta vez em seu terceiro retorno, é apresentado no Cabaré Brasil, em uma cerimônia que contará com apresentações do livro feitas pelos escritores João Matias, Joana Belarmino e Maria Valéria Rezende.

A protagonista da história é Maria, que Roberto faz questão de escrever em caixa baixa. “É exigência dela”, afirma o escritor. Seu primeiro “encontro” com a personagem se deu em uma situação de contratempo, em 2011. “Foi na beira da BR-230. O ônibus que eu estava indo pra Rio Tinto quebrou. Meio-dia, sol quente da p****. Corri pra uma sombra de um umbuzeiro falsificado. Sentei num tronco velho e nem sei por que tirei o computador da bolsa. Só foi abrir o Word pra maria chegar. Ela nem se apresentou antes de me arrastar pro seu inferno”, descreve o autor.

O enredo é o mesmo das histórias, o que muda, de acordo com Roberto, é a “gordura”, o miolo, que afeta diretamente no desenrolar da história, e que o plot é mero detalhe no livro. A narradora, ex-mulher de um vereador da cidade de João Pessoa, depois de sete anos de casa, planeja uma vingança contra ele. Para isso, o tranca em seu gabinete da Câmara Municipal e o deixa imobilizado de frente à tela do computador. “Ela vai narrando ano a ano da relação deles, de trás pra frente. O recurso que usei pra essa narrativa é ela contar a ele como se sentiu ao lixar as sete camadas de tintas que os dois pintaram durante os anos do casamento. O resto você já viu, né? Quase um Jogos Mortais”, explica, fazendo referência à franquia de filmes de terror.

Os outros Palavras que Devoram Lágrimas ainda podem ser lidos. Em 2012, a obra conquistou o Prêmio José Lins do Rego e foi publicado em pequena tiragem pela Fundação Espaço Cultural (Funesc). A segunda publicação veio em 2014, em forma de e-book pela editora Mombak. Para quem quiser conferir as diferenças entre as obras, o e-book pode ser adquirido através do endereço https://goo.gl/4DbgcG.

Em certo momento da obra, a protagonista encontra com uma mulher – ela a descreve como “a moça com cara de Margareth Menezes” –, que explica um pouco do método de construção de um texto ideal, fazendo uma analogia com a desmontagem e remontagem de um motor de carro. O método que Roberto utiliza para “remontar” seu livro, no entanto, difere. “Ao contrário da moça com cara de Margareth Menezes, nem eu, nem maria, estamos interessados em montar um motor, a gente quer que o motor se exploda”, afirma o autor.

De certa forma, a “maria" de Roberto Menezes é um personagem que chega sem avisar e impõe suas vontades. O que resta ao autor é escrever. Se haverá um quarto retorno? "Ela chega e me arrasta pra dentro dessa p****. E eu, nem pensar em ir contra ela”, completa.

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