quinta, 27 de junho de 2019
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Roberta Sá em ‘Giro’ canta a alma de Gil

Kubitschek Pinheiro / 04 de junho de 2019
Foto: Nana Moraes
A cantora Roberta Sá ganhou de presente um disco de Gilberto Gil e essa benesse ela repassa para os fãs. O 6º álbum Giro é desenhado por ela, Bem Gil, com inéditas de Gilberto Gil e já está nas lojas nos formatos físico e digital. A artista Potiguar já está na estrada girando sua nova turnê.

Esse trabalho de Roberta Sá vem do aconchego da amizade dela com Moreno Veloso, filho de Caetano e Dedé Veloso. Foi na casa de Moreno que ela e Gilberto Gil se aproximaram, sob a bênção do saudoso jornalista Jorge Bastos Moreno, falecido em 2017. Em pouco tempo Gil lhe deu a inédita “Giro” que abre o CD. Dai pra frente, veio a gestação de um belo disco na voz de uma das melhores cantoras do Brasil, nascida em Natal, em 1980.

“Pois é, o Jorge ( Bastos Moreno) foi o responsável pela minha aproximação com o Gil, portanto, ele é uma espécie de padrinho desse encontro. Um amigo muito querido que nos deixou precocemente. Eu já havia gravado com Gil em ‘Minha princesa cordel’, canção que ele fez para a abertura de uma novela que eu adoro, ‘Cordel Encantado’ (Globo, 2011), mas foi nesses almoços de domingo que veio a ideia de fazer um álbum só com música dele. A gente tomava drinques, ria, contava histórias, tudo muito natural e cercado de afeto”, revela a artista em entrevista ao CORREIO da Paraíba

Roberta não esconde a alegria que Giro lhe trouxe e espalha festividades nas apresentações, que começaram por Salvador. Já que cantar as canções de Gil (que toca em as todas as faixas) é mais que presente, é a prova de que Roberta Sá já avançou no tempo.

“Mais que uma honra. Uma imensa alegria e um privilégio enorme. Independentemente do álbum, o processo de gravar com Gil, de vê-lo trabalhando nas canções com aquela intensidade, com aquela sabedoria que faz a gente se sentir aconchegado, foi a experiência musical mais maravilhosa que já tive”, comenta a artista.

O disco é a cara de Gil no corpo e na voz de Roberta. Ele compôs sozinho as canções “A vida de um casal”, “O lenço e o lençol” e “Autorretratinho”. Duas inéditas são parcerias com Roberta Sá e Bem Gil, uma com Roberta e Yuri Queiroga e outra com o filho Bem e o baixista Alberto Continentino.

Ou seja, um disco onde Roberta está cercada de homens, mas foi ela quem promoveu o reencontro de Gil com Jorge Ben Jor, depois de 45 anos e, juntos assinam “Ela diz que me ama”, primeiro single do álbum, com direito a vídeo clipe, sob direção de Andrucha Waddington. Esse momento já é um espetáculo. Os dois gravaram o disco Gil & Jorge: Ogum, Xangô, álbum vinil duplo lançado, em 1975.

“Foi numa festa de amigos. Estava conversando com o Jorge Ben Jor e disse que adoraria gravar algo dele um dia mas que, naquele momento, estava gravando um álbum só de inéditas do Gil. Perguntei, na maior cara de pau, se eles não fariam algo juntos para eu incluir no disco e eles disseram que sim! Pouco tempo depois recebi ‘Ela diz que me ama’, que acabou contando com a participação do Jorge na gravação e também no clipe de Andrucha, com nós três em cena”.

Como Giro dá nome ao disco e abre o CD, ela argumenta. “O Gil já tinha feito duas músicas inéditas pra mim quando começamos a pensar no repertório e a primeira delas foi exatamente ‘Giro’. Depois veio ‘Afogamento’, parceria de Gil com Jorge Bastos Moreno. A ideia de estimular e pedir pra que ele fizesse mais canções novas veio do Bem Gil, que também me convenceu a mandar canções inacabadas minhas para que o Gil terminasse. Foi assim que me tornei parceira de Gilberto Gil - tive que tomar duas doses de tequila pra tomar coragem de mandar as letras, mas acho que ele gostou!”, diz ela rindo.

A segunda faixa “O lenço e o lençol” não lembra a “A linha e o linho” que Gil fez para sua mulher Flora do disco Extra lançado em 1983. Nessa canção, que Roberta gravou a sacada é uma pancada no machismo e uma levantada na velocidade da luz que as mulheres merecem.

Ela comenta: “Essa canção fala de liberdade e de amor, que está em todas as canções. O amor se comunica com as pessoas de várias maneiras, de forma lúdica ou contundente. Aqui eu digo ‘não me bote no bolso, e sim no colo’, é o amor que acolhe” pontua.

“Afogamento”, a última faixa do disco é uma canção forte. “Vou correr o risco de afundar de vez/ Sob o peso da insensatez/ Já sem poder boiar/ Estarei com alguém nariz contra nariz/ O afogamento por um triz/ Tentarei me salvar”. Para Roberta essa canção foi um presente especial. “Jorge ( Bastos Moreno) e Gil me deram essa canção de presente depois que voltei de uma temporada de férias em Fernando de Noronha. Fiquei maravilhada, postava fotos, e eles brincavam, diziam que eu não voltaria mais. A canção é uma linda história de amor na qual eu termino abduzida por um golfinho e no disco está a versão que gravei sozinha, Gil já havia incluído o dueto que fizemos no disco dele, ‘Ok,Ok,Ok’”.

“Autorretratinho” é a sétima faixa de Giro, seguida de “A vida de um casal”, canções que envolvem Roberta, Gil, Bem Gil, Alberto Continentino, Domenico. “Todos músicos incríveis, ‘Autorretratinho’ é uma delicadeza que só Gil poderia escrever: no início, achei estranho cantar sobre mim mesma, mas é a Roberta pela lente de Gil, na verdade.

E Gil é um desbravador da alma”, fecha Roberta Sá.

"Giro é o encontro de nossas raízes nordestinas, também: Gil e eu somos do Nordeste e nossa afinidade passa por esse lugar. E ainda poder contar com aquele violão de Gilberto Gil em todo o disco, foi um presente além do que eu poderia sonhar." - Roberta Sá, cantora

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