quarta, 21 de agosto de 2019
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Rei do Ritmo é tema de exposição no museu dos Três Pandeiros, em CG

André Luiz Maia / 18 de junho de 2019
Foto: Reprodução
Ter uma carreira que transcende até mesmo a barreira de sua própria existência física é algo que poucos artistas conseguem e Jackson do Pandeiro é um deles. Conhecido pela maioria da população como um forrozeiro, seu legado artístico transcende o gênero, conseguindo se manter atual até os dias de hoje.

É com esta mentalidade que surge a exposição Jackson É Pop, um grande projeto que entra em cartaz a partir de amanhã no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), o Museu dos Três Pandeiros, em Campina Grande. A grande celebração do centenário de Jackson do Pandeiro só acontece em agosto, mas os organizadores decidiram iniciá-la agora, em pleno São João, para atrair os olhos das centenas de milhares de turistas que chegam à cidade para curtir o Maior São João do Mundo.

O jornalista e biógrafo do Rei do Ritmo, Fernando Moura, é um dos curadores da mostra, responsável principalmente pela divisão de música. "É uma exposição ampla, que será abraçada por todo o MAPP. Tem os cordéis, tem uma exposição iconográfica, tem o acervo de textos e documentos sobre Jackson e, claro, uma parte voltada para o legado que ele deixa para a música brasileira", comenta, ressaltando também o setor de artes plásticas, que terá uma série de trabalhos totalmente dedicados ao artista.

A ideia é que a exposição fique em cartaz até agosto de 2020, cobrindo o centenário de Jackson por completo. Até agosto deste ano, toda a equipe do Museu dos Três Pandeiros está mobilizada para aprimorá-la. "A gente vai deixar uma exposição pronta até a celebração do centenário, mas, a partir de agosto, começamos a trazer novos elementos, atualizando-a constantemente. A ideia é que as pessoas venham a Campina Grande para visitá-la mais de uma vez", enfatiza Fernando Moura.

A linha condutora de Jackson É Pop é fazer uma leitura das músicas e letras de Jackson, evidenciando seu caráter plural e dimensionando o seu arcabouço artístico. "Já tinha a biografia, uma série de materiais sobre ele, mas faltava esse destrinchamento de sua obra, de relacioná-la com a modernidade, mostrando as conexões com o tropicalismo... É uma exposição bem colorida e moderna mesmo", adianta.

A ideia é que seja uma experiência de imersão, utilizando a iconografia presente nas próprias músicas e traduzindo-as para um universo lúdico e interativo. "Quando a gente pega músicas como 'Chiclete com banana', a gente percebe o quanto ela é atual, pop e tem tudo a ver com a forma como o ritmo é trabalhado nas músicas de hoje. Na exposição, vai ter muito chiclete e muita banana para representar isso (risos)", completa Fernando Moura.

A notícia da mostra se espalhou rapidamente, despertando o interesse de figuras importantes da cultura brasileira, como Gilberto Gil. "Ele ficou empolgadaço com a ideia e existe a chance de ele vir aqui em agosto, para a celebração", revela Fernando, ressaltando que isso ainda está em negociação. "Vai depender muito da agenda dele", alerta.

"É surpreendente. Jackson tem 433 músicas registradas e várias outras fora do catálogo. Até mesmo eu, que conheço bastante da obra dele, me espanto todos os dias com as descobertas, com a riqueza e a diversidade de sua arte." - Fernando Moura, um dos curadores da exposição 'Jackson é Pop' e biógrafo do artista.

Expo terá atualização



A mutação da exposição ao longo do tempo é algo que vem despertando interesse. Ao longo dos mais de 12 meses em cartaz, ela deve receber paulatinamente uma série de novos elementos, em um projeto audacioso e gigante.

"A gente vai acrescentando, vai pirando, vai mudando. Terá um painel com todos os títulos das músicas dele, um ambiente em que há a citação de todas as mulheres presentes na obra de Jackson, com representações artísticas em bonecas de cerâmica, de madeira, de pano... É uma forma de ressaltar essa iconografia presente nas músicas dele", completa.

Esse caráter camaleônico não é um mero capricho. Fernando Moura defende que esta é uma maneira de expandir a cobertura da mostra, podendo abordar o universo jacksoniano em minúcias, desde registros históricos até a construção de narrativas que conecta sua obra à contemporaneidade.

"É uma lógica de dinamismo e construção permanente. A obra dele é tão ampla e diversificada que não dá para sintetizar em uma lapada só. É complexo e envolvente. Se a gente deixasse só o material que temos agora, seria suficiente para mantê-la por um ano, mas é realmente pouco diante desse universo a ser explorado", explica o jornalista, escritor, historiador e um dos curadores de Jackson É Pop.

‘Jackson é Pop’

Abertura hoje, às 17h

Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP, Museu dos Três Pandeiros) (R. Dr. Severino Cruz, Centro, Campina Grande – 3310.9738 – https://www.facebook.com/mapp.uepb)

Visitação até agosto de 2020 Terça a sexta, 9h às 19h; sáb. e domingo, 14h às 18h.

Entrada franca

"Houve um despertar de gestores, estudiosos e fãs no que diz respeito ao seu legado, impulsionando uma ação mais ampliada em relação às homenagens comparada a outros estados." - Fernando Moura, historiador e jornalista

A vez do Rei do Ritmo



A exposição em cartaz no Museu dos Três Pandeiros é apenas uma das diversas atrações dedicadas ao músico paraibano natural de Alagoa Grande.

O Governo da Paraíba definiu 2019 como o Ano de Jackson do Pandeiro, levando aos mais de 300 mil estudantes da rede estadual de ensino uma série de atividades e informações sobre o Rei do Ritmo.

A Prefeitura de João Pessoa também está adotando expediente semelhante, além de promover ações em seus dispositivos culturais, como Parque Casa da Pólvora, e projetos como o Animacentro.

A segunda edição do Festival de Música da Paraíba, promovida pelo Governo da Paraíba, também foi dedicada ao músico, com a banda base do evento apresentando números de Jackson do Pandeiro em todas as eliminatórias e na grande final, que foi concluída com um show do pernambucano Silvério Pessoa com repertório inteiramente dedicado ao paraibano.

Entre 25 e 28 de julho, o Festival de Artes Jackson do Pandeiro acontece no Espaço Cultural, com programação voltada a homenageá-lo, trazendo nomes que têm total relação com a obra e o legado do artista, como Lenine. Pouco antes, entre os dias 18 e 27 de julho, a cidade de Garanhuns, em Pernambuco, homenageará o Rei do Ritmo em seu festival de inverno.

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