quinta, 21 de março de 2019
Geral
Compartilhar:

Reflexões musicais: paraibano Wister lança seu novo disco, c)asa

André Luiz Maia / 11 de agosto de 2018
Foto: Divulgação/Giovanna Ismael
Desacostumar. Não é gratuito este ser o título da primeira música apresentada por Wister, há algumas semanas, com o objetivo de nos introduzir seu novo disco, c)asa – sim, a grafia é esta, com um parêntese. Com canções suaves, mas também reflexivas, Wister propõe a ideia de enxergarmos o que há de conflituoso em nossa realidade e encararmos com clareza e leveza.

"São canções escritas em momentos de contemplação, apesar de estarmos vivendo em um momento social muito conturbado. O que eu quis fazer é traduzir isso em um disco, sim, político, mas também esperançoso. É preciso 'desacostumar' e parar de ver com normalidade coisas horríveis que nos cercam", explica o artista.

O terceiro álbum da carreira que completa 10 anos traz a maciez dos vocais do cantor e compositor paraibano que conhecemos dos trabalhos anteriores, mas com mais maturidade. Neste fim de semana, o repertório é apresentado em um show em São Paulo. Por aqui, ele deve fazer uma apresentação no final de setembro.

As dez canções de c)asa são produzidas por Bem Gil (da banda Tono), que trabalhou junto com Wister enquanto ainda produzia o álbum mais recente de seu pai, Gilberto Gil, ainda não lançado. O resultado dessa parceria já pode ser conferida, pois o álbum já está disponível nas principais plataformas digitais.

Parte dos custos do disco foram supridos por uma campanha de financiamento coletiva encampada por Wister no ano passado. Com o trabalho já circulando pelo mundo, seu sentimento é de satisfação.

“Eu tenho ficado bem feliz com o resultado. A gente se sente mto abraçado pelas pessoas, seja pelos amigos, seja pelos desconhecidos que chegam até o seu trabalho e abraçam seu projeto”, declara o cantor.

c)asa tem dez faixas, sendo nove compostas inteiramente por Wister e uma parceria com o paraibano Luis Kiari. As gravações aconteceram em outubro do ano passado no Estúdio Palco, no Rio de Janeiro e contou com a participação do próprio Bem Gil, da cantora Ana Claudia Lomelino (mãeana) e dos músicos Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti e do sanfoneiro paraibano Lucas Dan.

Para Wister, tudo ainda parece surreal. “É difícil de acreditar, foi uma sequência de surpresas, desde o primeiro contato com o Bem, sua disponibilizar em produzir o disco, a campanha de financiamento, a gravação. Estou muito feliz”, declara o artista. Em 2015, ele havia lançado Eu Daqui e já começou a pensar no novo trabalho no ano seguinte.

As coisas começaram a ganhar proporções maiores quando um passo sem muitas pretensões acabou se provando um gol de placa. “Minha esposa sempre foi muito panfletária do meu trabalho. Em 2016, ela começou a adicionar no Facebook algumas pessoas que tinham importância na indústria musical e o Bem foi uma delas. Quando ele aceitou a solicitação de amizade, ela mandou uma mensagem, falou do meu trabalho”, relata Wister. Ao perguntar de onde Wister era, a resposta o surpreendeu, pois ele estava vindo para João Pessoa pela primeira vez para fazer um show com a banda Tono, no No Ar Indie Sessions, realizado no Centro Cultural Piollin.

Estabelecido o contato pessoal e a troca de contatos, não demorou mais que um ano para que tudo começasse a engrenar. “Quando fui ao Rio, em 2017, entrei em contato com ele, nos encontramos e a partir daí começou a conversa para gravarmos o c)asa”, relembra Wister.

Apesar da agenda atribulada, o produtor se interessou bastante pelo trabalho, o que foi, de certa maneira, um empurrão que Wister admitiu que precisava. “Foi um ok, uma chancela de algo que as pessoas mais próximas já diziam, que meu trabalho é bacana”, complementa.

Em qualquer lugar

c)asa surge como fruto de reflexões que Wister fez ao longo dos últimos anos. Ao ouvirmos as faixas, há um sentimento de aconchego constante, embora também haja um senso de liberdade. “Abraço foi uma palavra que usei bastante durante a campanha de financiamento. O disco tem mesmo essa ideia de aconchego e, apesar do título ser confuso, ele é muito direto. É se sentir completo em qualquer lugar que você vá, a sua casa e a sua asa. A partir do momento em que você se enxerga como tal, você se sente muito livre”, salienta.

O álbum acaba se tornando uma viagem de autoreflexão. “Nas composições, eu venho tentado trazer essa bandeira do olhar para dentro, de se sentir contemplado por si mesmo e ter aquela tranquilidade que você só consegue alcançar quando começa a se perceber, ver suas qualidades, seus erros, suas falhas”, completa.

Relacionadas