quarta, 19 de dezembro de 2018
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Rami Malek interpreta Freddie Mercury em cinebiografia

André Luiz Maia / 01 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
Contar a história de um dos maiores grupos de rock da história é missão árdua. Em meio a muitos contratempos e polêmicas, a missão de apresentar nas telonas a trajetória do Queen no filme Bohemian Rhapsody, que estreia hoje, ficou a cargo do diretor Bryan Singer, da franquia X-Men.

Outro desafio que uma cinebiografia dessa envergadura impõe é dar conta de interpretar Freddie Mercury, o vocalista do Queen. Rami Malek, conhecido pelo seu trabalho no seriado Mr. Robot – Sociedade Hacker, usa até mesmo próteses nos dentes para remeter à gengiva saliente do roqueiro. Contudo, aparência não é tudo.

Já pelos trailers, é possível constatar que o ator conseguiu captar a essência de Mercury no gestual e na postura, especialmente no palco, em uma transformação impressionante, principalmente se lembrarmos do papel introspectivo e sóbrio que Malek interpreta no seriado televisivo.

Obviamente nem só de Freddie vive o filme. Os outros integrantes da banda também estão com uma caracterização fiel, como salienta o crítico Thales de Menezes, da Folha de S. Paulo. “O americano Joseph Mazzello interpreta o baixista John Deacon, e o papel do baterista Roger Taylor fica com o britânico Ben Hardy. Mas é o também britânico Gwilym Lee que deixa fãs boquiabertos. Ele tem uma semelhança assustadora com o guitarrista Brian May”, apontou.

Bohemian Rhapsody faz uma recapitulação da ascensão meteórica do grupo britânico, as propostas ousadas que catapultaram suas canções a ícones de uma época e, claro, a trajetória de vida pessoal de Mercury, acompanhada de bastante polêmica, especialmente por sua bissexualidade, seu vício em drogas e a eventual morte por conta da Aids.

Por falar nesses tópicos, um dos pontos que incomodou a crítica especializada foi a forma como o roteiro e a direção trataram esses capítulos da história do vocalista, com uma carga moralista que, para muitos, foi decepcionante. Scott Mendelson, da Forbes, chegou a dizer que havia, de alguma maneira, um tom homofóbico.

“Freddie é apresentado como bissexual, mas o filme argumenta que ele teria ficado bem se ficasse em um relacionamento heterossexual e monogâmico com Mary Austin. Seja homofóbico ou slut-shaming, é nojento”, afirma.

A ausência de menções à sexualidade de Mercury no roteiro inicial teriam feito, inclusive, com que o ator Sacha Baron Cohen (Borat, Brüno), inicialmente cotado para interpretá-lo no filme, desistisse do papel. Posteriormente, com a entrada de Singer, parte dessas reclamações foram ajustadas. Mas as filmagens não foram nada tranquilas: apesar de seu nome ainda assinar o filme, Synger foi demitido pela Fox semanas antes do fim da produção.

O diretor chegava atrasado muitas vezes e chegou a entrar em conflito com Malek, que reclamou de seu comportamente errático. O diretor chegou a atirar uma peça de um equipamento no ator, que se desviou a tempo. O filme foi completado por Dexter Fletcher.

 

Erros e acertos. A avaliação da crítica, de maneira geral, é mista. Tece muitos elogios à performance de Rami Malek, mas critica o tom apressado e pouco ousado em termos de narrativa. As incongruências históricas também devem incomodar bastante os fãs mais fervorosos.

Um exemplo, inclusive, envolve o Brasil. As imagens usadas na cena de “Love of my life” são da plateia do Rock in Rio de 1985, mas reproduzem o episódio como sendo em um show no Rio de Janeiro antes de 1980, com o ator fazendo Mercury ainda sem o bigode que se tornaria sua assinatura.

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