quinta, 22 de abril de 2021

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Projeto Interatos começa mais uma edição com o espetáculo ‘Oteto’

André Luiz Maia / 05 de maio de 2019
Foto: Divulgação
Considerada intraduzível, a palavra saudade é uma das pérolas da língua brasileira. Claro que existem palavras e expressões em outras línguas que conseguem expressar sentimentos próximos, mas nada que se compare à completude do termo que define essa sensação de falta, nostalgia, melancolia, mas também afeto.

Com base nessa palavra, o Coletivo Na Esquina desenvolveu o espetáculo circense Oteto, apresentado hoje na programação do projeto Interatos — Mostra e Formação Permanente de Teatro, Dança e Circo. Parte de um projeto chamado Abasedotetodesaba, o espetáculo é apresentado pelos acrobatas Pedro Guerra e Liz Braga, ao lado do músico convidado da sessão, que na Paraíba será o Victorama, de Seu Pereira e Coletivo 401.

Oteto nasce da pesquisa realizada pela dupla de acrobatas, que vivem há pelo menos dez anos entre Brasil e França. Liz e Pedro são integrantes do coletivo formado por sete brasileiros e uma francesa. Entre 2013 e 2018, eles circularam com o espetáculo Na Esquina por todo o Brasil e por países da Europa, em favelas brasileiras e marroquinas, comunidades ribeirinhas na floresta tropical da Guiana Francesa, o que fez com que os atores estivessem sempre em trânsito.

"Por conta dessa vivência, surgiu naturalmente o interesse de fazer esse espetáculo sobre saudade, já que é um sentimento constante para nós", explica Pedro Guerra, em entrevista ao CORREIO. Depois da criação do espetáculo Abasedotetodesaba, criado para o teatro, surgiu Oteto como uma espécie de desmembramento, destinado ao espaço da rua.

O motor da pesquisa foi como representar a saudade em uma modalidade como a acrobacia, em que há a necessidade do outro. "Em uma parte do espetáculo, Liz venda os olhos, para representar a ausência através da perda da visão. Em outros, fazemos movimentos circulares, nos distanciamos. Foi um desafio encontrar essa representação da falta", explica Pedro Guerra.

Em cena, Liz Braga também canta, de maneira livre, com o auxílio da instrumentação ao vivo, outro recurso utilizado em prol da temática do espetáculo. "Uma forma recorrente para a gente de representar a saudade é uma série de canções da língua portuguesa. Sempre que Liz sentia falta de casa, ela cantava alguma música que a transportava para aquele lugar, como uma maneira de matar essa saudade", comenta.

Com DNA miscigenado, o espetáculo resulta desse conjunto de vivências experimentado pelos dois acrobatas. "Nossa forma de fazer é bem brasileira, já que somos artistas daqui, mas posso dizer que a dramaturgia e o modo como a gente o concebeu é bem francês. Fizemos residências artísticas tanto na França quanto no Brasil, mas a estrutura de desenvolvimento foi francesa, já que contamos com muito mais apoio e incentivo por lá", pontua.

A dupla também reserva outro momento para interagir com os paraibanos. Ao longo dessa semana, eles participam de uma atividade de formação. Trata-se da oficina Acrobacia Coletiva. As aulas serão ministradas de 6 a 8 de maio, na Escola Livre de Circo Djalma Buranhêm, localizada no Espaço Cultural, em João Pessoa. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail circo.funesc@gmail.com.

"A ideia é entrar em contato com alunos que já tenham alguma experiência com circo. Queremos dividir com os oficineiros um pouco dessa técnica que desenvolvemos há muitos anos. Trabalhamos a relação entre as pessoas, a confiança, a relação dos corpos, do peso, do contrapeso", explica o acrobata.

Interatos em maio

Além de outros espetáculos de dança e teatro (confira no quadro abaixo), o Interatos também oferecerá outros momentos de formação, a exemplo da oficina Moto Perpétuo, ofertada pelo Coletivo Tribo Éthnos, da Paraíba, gratuitamente.

A atividade acontece no dia 11, às 18h, na Praça Getúlio Vargas, no Centro de Cabedelo. O Interatos — Mostra e Formação Permanente de Teatro, Dança e Circo é um projeto da Funesc realizado mensalmente, que conta com patrocínio do Bradesco, colocando o estado no roteiro das principais produções de teatro, dança e circo do país.

"A acrobacia é nossa linguagem. Assim como o texto funciona para o ator e o corpo funciona para a dança, a gente também usa o corpo, mas com outro olhar. Uma questão fundadora do circo é se colocar em risco e a acrobacia é exatamente isso." - Pedro Guerra, acrobata

Programação / Hoje e amanhã



HOJE

17h30 – CIRCO ­— Oteto, do Coletivo Na Esquina (França/ Brasil). (Anfiteatro Cristóvam Tadeu, Bessa, João Pessoa)

SÁBADO, 11/05

20h – DANÇA ­— O Preto e o Branco no Mundo dos Sonhos, do Coletivo Tribo Ethnos. (Praça Getúlio Vargas, Cabedelo)

DOMINGO, 26/05

20h – TEATRO ­— Dom Quixote, do Loucos de Palco (RS). (Teatro Municipal Severino Cabral, Campina Grande)

Anfiteatro Cristóvam Tadeu (Parque Parahyba II, Bessa, João Pessoa)

Praça Getúlio Vargas (Centro, Cabedelo)

Teatro Municipal Severino Cabral (Av. Floriano Peixoto, s/nº, Centro, Campina Grande)

Entrada franca

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