sábado, 28 de novembro de 2020

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Professor Trindade homenageia Marconi Góes em sua coluna semanal

João Trindade / 25 de setembro de 2016
Foto: Arquivo
EU E MARCONI GÓES

Eram 17h45, de um dia qualquer de 1978. Eu, menino, 21 anos, entrava, nervoso, no gabinete do então maior empresário de comunicação da Paraíba: Marconi Góes de Albuquerque; uma espécie de Chateaubriand paraibano.

É claro que estava tremendo.

Diante de mim, um monstro da imprensa paraibana. E por que não da brasileira?

- E aí, menino; soube que você quer ser redator de “O Norte”; vou enviá-lo a Evandro [Nóbrega; editor geral, na época]; ele é quem vai decidir sua contratação.

Quando eu ia saindo, olhou um manual de redação que eu levava à mão e disse:

- Me dê esse livro. Não vou pedir emprestado. Coleciono livros. Não posso ver um, que tomo de quem vem falar comigo...

Muitos anos depois... 1990.

Eu acabara de ser vítima de um golpe desleal dos meus sócios, no colégio CA; considerado o maior e mais importante da época.

Ele me diz, no ostentoso gabinete dos “Diários Associados” da Paraíba, a quem nem todo mundo tinha acesso:

- Seus sócios pediram sua cabeça. Exigiram que você não escrevesse mais em “O Norte” (eu tinha uma coluna semanal) e nem aparecesse mais na TV (eu apresentava um telejornal, na “TV O Norte”). Você há de convir que eles investem muito aqui e não posso descartá-los. Mas não vou tirar sua coluna; vão ter que ceder nesse ponto. Claro que, como eles estão investindo mais no Sistema, o espaço deles vai ser maior. Mas você não vai deixar de ter o seu.

Accedi, é claro! Mas nunca deixei de ter meu espaço; eles, pagando; e o meu, gratuito.

1991:

Fui surpreendido com uma homenagem dirigida a todos os que ele considerou amigos pessoais, numa publicação de página inteira de “O NORTE”. Era uma publicação que continha uma “intimação” para todos os amigos citados “comparecerem” à “Justiça”. Uma brincadeira de bom gosto, que jamais esqueci e, creio, todos os homenageados. Não havia nenhum nome de qualquer dos meus sócios na homenagem, embora continuassem pagando horrores aos “Diários Associados”, pelo menor espaço que fosse; mas eu, não!

Ainda no ano de 1990, aconteceram duas coisas maravilhosas, ligando-me a ele.

Manda a secretária ligar, dizendo que queria, urgentemente, falar comigo.

Vou ao encontro, é claro.

Faz-me uma proposta: entrar em sociedade com ele, num colégio.

Não disse nada, mas também não fui mais falar com ele; estava muito magoado para aceitar sociedade, depois do baque que levara. Ele, como todo homem inteligente, entendeu o recado.

Porém, o mais significativo sinal de amizade se deu ainda em 1990:

Depois do golpe dos sócios, que me deixaram sem um tostão no bolso, a família praticamente passando fome, porque, ainda por cima, Collor prendera minhas economias, com o confisco da poupança, resolvi colocar um cursinho, na Almeida Barreto, próximo à Bento da Gama. Era, verdadeiramente, uma latada. Não tinha NADA. Só duas salas de aula, e mais nada. Só havia um banheiro, para homem e mulher; e não havia espaço para defecar. Caso o (a) aluno (a) precisasse defecar, teria que ir à casa dele (a), ou procurar outro lugar.

Marconi, o maior empresário de comunicação da Paraíba, matriculou a filha Raquel, no meu cursinho.

Chamei-a e expliquei a situação.

Ela disse:

- Papai quer que eu estude aqui. O que vale é a qualidade.

Depois, meu cursinho evoluiu e foi para outro lugar; agora, confortável; foram minhas alunas, também, as outras duas filhas dele: Isabela e Simone.

Há como não ser fã de um homem desse e não chorar-lhe a morte?

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