sexta, 26 de fevereiro de 2021

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Professor Trindade destaca a poética de Figueiredo Agra

30 de julho de 2017
A POÉTICA DE FIGUEIREDO AGRA

​Não se admite o esquecimento a que é relegada a obra poética de Figueiredo Agra, aqui, na Paraíba. E o pior: por motivos extraliterários; o que é um absurdo! Tenho me dedicado à divulgação da obra dele, há algum tempo. Segue um texto publicado por mim, na “Coletânea de Autores Paraibanos”, (1987): PP.88 e 89:

Antônio de Figueiredo Agra, filho de Agripino da Costa Agra e Maria Figueiredo Agra, cursou as primeiras letras em Campina Grande, cidade onde ocupou diversos cargos administrativos e deixou sua marca peculiar: a altivez no estilo de administrar.

​Brilhante como advogado, político e poeta, Figueiredo Agra se constitui numa das principais vozes da intelectualidade campinense, em nível nacional.

Como poeta, investigou em profundidade o sofrimento humano, enfatizando o fato de que quanto mais o homem se conhece e é “dono” do seu destino, mais se torna infeliz.

Em nível estético, sua poesia, sem chegar ao exagero do verbalismo extremo, é profundamente trabalhada, tendo, inclusive, certas incursões no concretismo. Mas é o lado humano dela que se destaca; sua dicção profundamente vivencial, o universo louco e lúcido do poeta que tem como obrigação captar o real e, através da fantasia, devolvê-la (a poesia) a um leitor, carregada de emoção e consciência do trabalho artesanal.

OBRAS POÉTICAS DO AUTOR

Guarda Esses Poemas, Luciene (1965)

Os Hemisférios Loucos (1973)

Concerto de Espaços (1973)

Vida Flauta (1974)

Tempos da Noite (1975)

Café das manhãs Amargas (1976)

UM FESTIM PARA HERODES

Trinta e cinco círios

acendem hoje

este meu aniversário

e nem Salomé

nem Herodíades

estão comigo.

 

A sua dança

traçou no ar

a estranha coreografia

que foi sugerida

na cabeça de João Batista.

 

Chegam as bandejas,

vazias,

menos mesa que música

e dançam o meu pandemônio.

 

Eu os sei aqui,

convivas redivivos,

e nenhuma ideia por cabeça

me trarão.

As bandejas me chegam

por certo,

sem o pedaço de João Batista,

o que já foi doado.

 

As bandejas estão aqui,

vazias,

e querem que elas voltem

com a minha cabeça...

(Os Hemisférios Loucos, Gráfica Igramol, João pessoa, 1972, sem numeração de páginas)

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