quinta, 22 de abril de 2021

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Prefeitura como trampolim para o Palácio da Redenção

André Gomes / 28 de abril de 2019
Foto: Arquivo
Dos oito governadores que comandaram a Paraíba nos últimos 36 anos, cinco iniciaram suas carreiras políticas como prefeitos de suas cidades e utilizaram as prefeituras como “trampolim” para um projeto maior: o de chegar ao Palácio da Redenção. No próximo ano, poderemos ver o inverso com a possível candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) à Prefeitura de João Pessoa e a de Cássio Cunha Lima (PSDB) à Prefeitura de Campina Grande.

O professor doutor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político, Lúcio Flávio, destaca que em estados pobres como a Paraíba, o poder Executivo tem muita força, suplantando, em muito, os outros poderes, como Legislativo e Judiciário.

“Ele, o poder Executivo, é o principal empregador e, também, por onde circula a maior quantidade de dinheiro público. Prefeituras como as de João Pessoa e Campina Grande, principais cidades do estado, têm uma importância estratégica muito grande. Projetam o nome de qualquer prefeito para todo o estado”, analisou o professor.

De acordo com Lúcio Flávio, como não existe vácuo no poder, líderes políticos como Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima, que estão sem mandatos, são ‘obrigados’ pelos seus liderados a disputarem a próxima eleição. “Caso não concorram, serão ultrapassados por outros políticos emergentes. Na política, não há aposentadoria compulsória”, destacou.

Conforme levantamento feito pelo CORREIO, de 1983 a 2017, chegaram ao governo do Estado, depois de terem sido prefeitos de suas cidades, os ex-governadores Ronaldo Cunha Lima, Antônio Mariz, Roberto Paulino (PMDB), Cássio Cunha Lima (PSDB) e o atual governador Ricardo Coutinho (PSB).

Cássio Cunha Lima iniciou na vida pública como deputado federal em 1986, tornando-se constituinte pelo PMDB, aos 23 anos, sendo, na ocasião, um dos deputados mais jovens do Brasil. Naquele ano obteve 93.236 votos. Em 1988 é eleito prefeito de Campina Grande pela primeira vez com 53.720 votos (52,3% do total).

Em 1992, Cássio concluiu o primeiro mandato de prefeito, sendo nomeado superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cargo pelo qual ocupou até 1994, ano em que foi eleito deputado federal pela segunda vez com 157.609 votos e chegou a ser vice-líder do partido (PMDB) na Câmara.

Dois anos depois, Cunha Lima foi eleito prefeito de Campina Grande pela segunda vez com 72.185 votos, sendo reeleito em 2000 com 122.718 votos. No ano seguinte, por brigas internas, desfilia-se do PMDB e ingressa no PSDB. No ninho tucano, em 2002, renunciou cargo de prefeito de Campina Grande para candidatar-se a governador da Paraíba, sendo eleito em segundo turno com 889.922 votos derrotando o então governador e candidato a reeleição Roberto Paulino (PMDB). No primeiro turno obteve 752.297 votos. Como candidato a reeleição, derrotou no segundo turno, o então senador e ex-governador José Maranhão (PMDB) com 1.003.102 votos. Elegeu-se senador em 2010 com 1.004.183 votos.

Socialista foi prefeito duas vezes



Já Ricardo Coutinho foi vereador de João Pessoa (1993-1999), deputado estadual (1999-2004) e prefeito da capital paraibana por duas vezes, sendo eleito pela 1ª vez em 2004 e reeleito em 2008. Renunciou à prefeitura da Capital em 31 de março de 2010, durante o período de seu segundo mandato, para disputar o governo do Estado da Paraíba.

Neste ano, foi eleito em segundo turno para o cargo de Governador com 1.079.164 votos (53,70% dos votos válidos). Em 2014, foi reeleito Governador da Paraíba com a votação de 1.125.956 votos (52,61% dos votos válidos), permanecendo no cargo até 2018. Ricardo chegou a abrir mão de disputar o Senado Federal e cumpriu o seu mandato de governador na íntegra, elegendo o seu candidato, o engenheiro e ex-secretário de Infraestrutura, João Azevêdo, como sucessor nas eleições estaduais de 2018, que com seu decisivo apoio, vence no primeiro turno com 58,18% dos votos.

O socialista terminou sua gestão a frente do governo da Paraíba com 84% de aprovação. Hoje, preside a Fundação João Mangabeira, órgão pertencente ao Partido Socialista Brasileiro.

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