domingo, 19 de maio de 2019
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Pesquisa aponta que brasileiro passa quase cinco horas no smartphone

Aline Martins / 15 de julho de 2018
Foto: Assuero Lima
A cada dia que passa, fica mais difícil pensar em uma vida sem celular, não é? Uma pesquisa feita pela empresa alemã Statista apontou que a média de uso de smartphones no Brasil por dia é de quatro horas e 48 minutos, a maior do mundo. China, Estados Unidos, Itália e Espanha são os demais países que compõem o top 5. Os dados são referentes ao ano de 2016, porém mostrou que o uso dobrou em relação a 2012, quando se utilizava, em média, de 2 horas diariamente. Desde que foi criado até hoje, o celular passou por diversas transformações.

Além da função ligar e fazer chamadas (quase em desuso), esse aparelhinho carrega inúmeras ferramentas, como aplicativos de relacionamentos, agendas e  fontes de consulta. Mas essas mudanças também alteraram o comportamento da maior parte da população.

A tecnologia na palma das mãos tem deixado as pessoas dependentes ou “viciadas”. Há quem só desgrude do aparelho quando está dormindo. Em uma balada, em um restaurante ou mesmo no passeio no parque com familiares e amigos, por exemplo, ao invés da interação entre os que estão ao lado, é comum encontrá-las mexendo no aparelho telefônico, principalmente nas redes sociais. Esse vício tem até nome: nomofobia – doença que afeta as pessoas que ficam com o celular indisponível.

Embora não seja diagnosticado com a patologia, o cabeleireiro Adilson Alves dos Santos, 35 anos, disse ser um dependente do aparelho. “Eu sou viciado em celular. Quando eu não estou fazendo nada eu estou com o celular na mão”, revelou.

Ele utiliza, em média, quatro horas por dia o celular: após o almoço, janta e em alguns minutos do dia. No entanto, ele acredita não ser um problema, mas que o uso abusivo pode se tornar uma doença. Antes de ser abordado pela reportagem, o cabeleireiro passou mais de 10 minutos vidrado no aparelho.

O divulgador Diogo de Albuquerque Rocha também revelou que não vive sem o celular, mas não se considerada dependente, apenas que tem um vício.

Justificou que o equipamento é muito utilizado no trabalho, principalmente nas redes sociais para fazer a parte de divulgação.

“Sem meu celular eu não vivo. Se eu esquecer em casa, volto só para pegar. Minha vida não funciona sem o aparelho”, afirmou, acrescentando que em qualquer lugar que vá leva o aparelho, mas disse que deixa no bolso quando vai para eventos de diversão.

No entanto, essa dependência afeta as relações entre os familiares. Isso é perceptivo na casa da operadora de loja Mônica Souza, 41 anos. Ela comentou que os dois filhos ficam o tempo inteiro conectados nas redes sociais e aplicativos de conversas.

Ela disse utilizar o celular apenas para ligar quando está foram da residência ou no trabalho. “Para saber se está tudo bem”, afirmou. Quando está em casa percebe o vício dos filhos e a falta de diálogo entre todos os integrantes da família.

Sinais e necessidade de tratamento

É fácil perceber se uma pessoa está dependente do uso do celular: quando ela passa muito tempo no aparelho, virando a noite. “Em muitos casos, o indivíduo não percebe, mas aos poucos ele deixa de ter vida social, de se relacionar com as pessoas olho no olho e perde a noção de tempo, esquecendo-se muitas vezes do horário de refeições e até mesmo de suas obrigações. A situação fica mais séria quando esse indivíduo, por alguns motivos, fica longe do celular, alguns literalmente ficam em quadro de abstinência”, ressaltou a psicóloga Janaína da Motta.

De acordo com o psicólogo  Thiago Del Poço, mestrando em Psicologia Experimental pela PUC-SP e membro da equipe Janus - LEPTIC (Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologia da Informação e Comunicação da Clínica Escola de Psicologia), o uso abusivo pode estar relacionado a uma causa específica para cada pessoa.

“Um diagnóstico preciso, apenas um profissional especializado poderia fazer, mas existem algumas observações na utilização dos aparelhos que são mais pontuais como: utilização do celular por um tempo excessivo, negligência de tarefas do dia a dia, como trabalho, estudo, vida social, familiar e cuidados pessoais, falta de concentração em outras atividades, escapismo, alterações de humor, egocentrismo e sensação de mal estar quando se encontra longe do aparelho”, comentou.

Prejuízos sociais e físicos

O uso abusivo do celular pode causar inúmeros prejuízos, pois existe o perigo de afetar os usuários fisiologicamente assim como em suas relações pessoais e profissionais.

“Muitas empresas abominam o uso excessivo do celular em ambiente de trabalho, principalmente se a função do mesmo não exige ou necessita do uso dessa tecnologia. Os viciados em celular e/ou tecnologia acabam criando e vivendo em um mundo próprio, excluindo-se sem perceber das suas relações”, comentou a psicóloga Janaína da Motta.

A especialista alerta aos pais sobre o uso da tecnologia com as crianças e adolescentes: “É importante que as famílias fiquem de olho e acompanhem de perto o uso dessa tecnologia por parte das crianças e adolescentes. Incentivar momentos em família e entre amigos, lazer, conversar, jogos, passeios, tudo é válido para que essa criança ou adolescente enxergue que existe uma vida cheia de aventura e descobertas aguardando por eles”, explica

As relações sociais são as que ficam mais comprometidas. “Principalmente aquelas do convívio diário, pois o olho no olho, pele com pele, o calor humano perde espaço para mensagens e fotos virtuais. Inicialmente pode até abrir novos espaços, criar novos relacionamentos, mas nada tão duradouro”. afirmou. Ela acrescenta que “em muitos casos, os viciados em celular/tecnologia abrem mãos de seus relacionamentos tradicionais sejam com pais, irmãos, parceiros e amigos, para viverem em um mundo onde eles podem controlar tudo”, analisou.

Para o psicólogo Thiago Del Poço, o uso excessivo de celulares pode agravar alguns sintomas existentes ou que uma pessoa pode ter predisposição. “Como transtornos de ansiedade e depressão.  Os tímidos e introvertidos que possuem determinado grau de depressão ou ansiedade, utilizam o celular para se comunicarem mais online do que na vida real, pois se sentem mais desinibidos e sentem segurança para falarem e se mostrarem da maneira que for mais conveniente, buscando suporte emocional e tendo possibilidade de conhecer novas pessoas, tarefa que seria muito difícil para eles no mundo offline”, analisou.

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