quarta, 20 de janeiro de 2021

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‘Pedro Osmar – Pra Liberdade Que Se Conquista’entra em cartaz hoje

Audaci Junior / 16 de março de 2017
“Eu continuo perguntando, duvidando... E eu duvido e pergunto: quem é você?”, é um dos questionamentos íntimos do multiartista paraibano Pedro Osmar. Bem íntimo mesmo – quase deixando sua volumosa barba grisalha roçar nas lentes –, uma cumplicidade que é escancarada junto com uma série de imagens de arquivo compondo o filme Pedro Osmar - Pra Liberdade que Se Conquista, documentário que estreia nos cinemas de João Pessoa a partir desta quinta-feira.

Guerrilheiro cultural com mais de 40 anos de atuação nas trincheiras musicais, audiovisuais, sociais e políticos, o paraibano é dissecado desde o início, na década de 1980, quando formou ao lado do seu irmão, Pedro Ró, o grupo Jaguaribe Carne, passando pelos projetos atuais.

Dirigido a quatro mãos pelos cineastas Eduardo Consonni e Rodrigo T. Marques, fundadores da produtora Complô (SP), o longa-metragem teve auxílio de mais duas mãos, as do próprio personagem principal, como consultor, acompanhando de perto. “O tempo todo eles estavam me consultando”, garantiu Pedro Osmar.

De acordo com o artista paraibano, ambos os diretores não o conheciam, mas se interessaram pela sua trajetória. Inicialmente, eles iriam registrar as gravações do novo disco, Quem Vem Lá. “Eu estava fazendo 60 anos na época (2014). Tinha um show com os amigos e uma nova geração de artistas. Foi ai que eles falaram que iam comigo filmar tudo”, relembrou.

“A gente começou o processo de pesquisa sobre ele e nos demos conta da grandiosidade de sua obra”, atestou o codiretor Eduardo Consonni, em entrevista na pré-estreia do filme na capital paraibana, no final do ano passado. “Descobrimos uma série de filmagens realizadas em Super 8 durante a década de 1970 e 1980, registrando alguns momentos importantes da cultura independente da cidade, com a participação do próprio Pedro”.

Uma das fontes de arquivo para Pedro Osmar - Pra Liberdade que Se Conquista foi o projeto Cinema Paraibano – Memória e Preservação, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde foram encontrados registros como Quando um Bairro Não Se Cala, do diretor Marcus Vilar, que abordava o movimento Fala Jaguaribe, projeto de educação popular sem ajuda do poder público.

“Ele influenciou a forma de fazer política engajada com arte, sua contribuição para a poesia, para as artes plásticas. Buscamos mostrar isso no filme”, apontou Consonni.

“Pra mim, ele é uma pessoa que está interessada em transformar esteticamente, politicamente, moralmente...”, definia um jovem Chico César, com a imagem granulada de 8mm dos arquivos.

Dentre as sequências gravadas exclusivamente para o longa, há feitos inéditos conseguidos para a feitura do documentário. “Entrar no mar, só fiz no filme. Nunca tinha entrado antes em toda a minha vida”, revelou o multiartista, aos sorrisos.

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