domingo, 17 de fevereiro de 2019
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Peça ‘Razão para Ficar’ debate a loucura em apresentação na Capital

André Luiz Maia / 29 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Afinal, o que é loucura? A palavra guarda-chuva comumente usada para definir transtornos mentais e que carrega estigma pesado vem sendo repensada. Diante de um cotidiano repleto de pressões, prazos e sufoco, como manter a tal esperada normalidade? O espetáculo Razão para Ficar acaba tocando nessas questões, mesmo que indiretamente, ao apresentar dramaturgia desenvolvida com base em relatos de ex-pacientes de clínicas psiquiátricas.

Amanhã e quinta, às 20h, o público poderá conferir gratuitamente o monólogo estrelado pela atriz Ana Marinho, que também desenvolveu o texto em parceria com o diretor João Paulo Soares. É importante lembrar que a performance acontecerá no anexo da Casa da Pólvora e possui poucos lugares, portanto, é preciso chegar com antecedência para garantir a entrada.

Razão para Ficar surge com base na tese de doutorado de Thalyta Lima, que colheu depoimentos de oito mulheres, egressas do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa. Após um longo período de internamento, elas passaram a viver em um Serviço Residencial Terapêutico, espaço de acolhimento cuja meta é promover uma gradativa inclusão social e o desenvolvimento da autonomia de seus moradores.

“Desde a montagem, o que me chamou a atenção dos relatos é que eles eram parecidos com o que eu e com o que amigas e amigos meus viviam”, conta a atriz Ana Marinho. Embora ela ou seus amigos nunca tivessem sido internados ou passado por alguma situação-limite como a das mulheres dos relatos, a identificação foi quase que imediata. “Nossa sociedade nos transforma em pessoas muito doentes. Portanto, a ideia desse texto é fazer com que a gente enxergue as semelhanças, se aproxime dessas mulheres que a sociedade isola como ‘loucas’ ou algo do tipo”, explica.

A série de apresentações realizada agora em 2019 é fruto de um projeto de circulação aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC), da Prefeitura de João Pessoa. Além dessas duas datas na Casa da Pólvora, a ideia é que haja mais quatro datas no Teatro Santa Roza. “Quero levar alguns usuários dos CAPS de Mangabeira e Bairro dos Estados, além de alunos do EJA. A ideia é fazer um tour com eles, à tarde, mostrar os bastidores e depois fazê-los assistir à apresentação”, revela Ana.

Originalmente, ela havia pensado em incluir o Teatro Piollin no roteiro, mas descobriu que o equipamento está parado há alguns meses. “Soube que roubaram a fiação, portanto o teatro está sem energia. Uma tristeza saber que equipamentos como aquele estão parados em uma cidade que conta com poucos espaços disponíveis para a apresentação de espetáculos teatrais”, completa a atriz.

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