sexta, 22 de janeiro de 2021

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Paraíba registra em média 82 mortes no trânsito por mês

Bárbara Wanderley Com Assessoria / 19 de setembro de 2017
Foto: Assuero Lima
Nos primeiros sete meses do ano 579 pessoas morreram na Paraíba vítimas de acidentes de trânsito. Mais de 4.600 motociclistas se acidentaram e quase 600 pedestres foram atropelados, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). No período compreendido entre 2014 e 2016, foram mais de 3.000 óbitos por acidentes de trânsito. “No Brasil hoje, a média de mortes no trânsito é o equivalente a cair um avião todo dia”, disse diretor de Operações do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Orlando Soares.

Além do alto índice de mortes, há também os sobreviventes que ficam com sequelas temporárias ou permanentes e, em alguns casos, invalidez. O tratamento e pagamento de benefícios a essas pessoas custa milhões aos cofres públicos, além de transformar vidas para sempre.

Foi sobre isso que falou a publicitária Carolina Vieira, de 33 anos, que perdeu os movimentos das pernas após um acidente na Avenida Pedro II. “Minha família inteira teve que se adaptar. Passamos a viver todos na mesma casa, vendi carro, fizemos campanha com familiares e amigos para juntar dinheiro para o tratamento”, contou.

A jovem participou da Abertura da Semana Nacional do Trânsito promovida pelo Governo do Estado, na manhã de ontem, no Espaço Cultural, na Capital. Carolina pediu mais responsabilidade no trânsito para que situações como a dela não voltem a ocorrer.

Educação. Para Orlando Soares, a maior parte dos acidentes poderia ser evitada se houvesse uma maior educação e conscientização da população. “Tudo é advindo de não cumprir a lei de trânsito. Se você cumprir as leis, ultrapassar no local correto, usar cinto de segurança, não só no condutor e no carona, mas também no banco traseiro”.

Orlando acredita, inclusive, que a educação também passa por uma mudança nos centros de formação de condutores, as chamadas autoescolas. “Tem muitas que só ensinam o condutor a passar na prova do Detran. Isso tem que mudar”.

Mudanças nas autoescolas e na legislação foram citadas pelo presidente da Associação Nacional dos Detrans, Antônio Carlos Gouveia, durante a abertura da Semana Nacional do Trânsito. “Nossa legislação é muito parcimoniosa, ela precisa evoluir”.

De acordo com o superintendente de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP), Carlos Batinga, mais de 90% dos acidentes de trânsito são causados por motoristas em situações de imprudência, distrações e cochilos, entre outras. “Desses 90%, 70% são pelo uso de celular. É o maior causador de acidentes da atualidade”.

Para ele, a mudança só pode ocorrer através da conscientização. “Não há fiscalização que resolva, até porque a fiscalização não pode ser onipresente. Muitas vezes as pessoas procuraram ver se tem um guarda ali e, se não tiver, desobedecem às leis de trânsito. É preciso ter consciência de fazer o que é certo sempre”.

‘Na Cidade Sem Meu Carro’

Ontem também foi aberta a Semana Nacional de Trânsito promovida pela Prefeitura da Capital. O prefeito Luciano Cartaxo e o superitendente da Semob, Carlos Batinga, apresentaram a série de ações que serão realizadas até o dia 25.

A iniciativa da Prefeitura visa mobilizar a população e promover uma cultura de paz no trânsito e, para isso, próxima sexta-feira, acontece a ‘Jornada Mundial na Cidade Sem Meu Carro’. Neste dia, com apoio de várias universidades, a Avenida Visconde de Pelotas será fechada das 9h às 17h para um dia de mobilizações, eventos culturais, folclóricos , educativos, envolvendo escolas e toda a população.

A programação conta ainda com equipes da Semob-JP, promovendo ações educativas por um trânsito mais humanizado, além da Prefeitura dando continuidade aos investimentos na mobilidade urbana da Capital.

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