quinta, 18 de julho de 2019
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Paraibanos da Glue Trip e Felipe Puperi fazem show em João Pessoa

André Luiz Maia / 30 de abril de 2019
Foto: Divulgação
A soma de forças é uma característica comum no cenário independente. Juntos, artistas com propostas musicais afins se auxiliam ao atrair seus públicos para um único show. Neste espírito, Tagua Tagua, projeto musical de Felipe Puperi, e a banda paraibana Glue Trip excursionam pelo Nordeste. Hoje, na véspera de feriado, a parada é em João Pessoa.

O músico Felipe Puperi já é conhecido por seu trabalho como produtor musical, assinando o disco Catto, do cantor Filipe Catto, lançado no final de 2017. No entanto, sua história começa bem antes, em Porto Alegre, com a banda Wannabe Jalva, da qual ele ainda faz parte, paralelamente, como guitarrista e vocalista.

No entanto, o som de Tagua Tagua segue por outro caminho. “No Wannabe Jalva, já existia uma ideia sonora mais etérea, mas lá era algo muito mais voltado para a língua inglesa. Em Tagua Tagua, quis buscar um pouco mais das raízes brasileiras e de outras sonoridades, como a africana. Tem muito de afrobeat, coisas que eu não havia explorado ainda”, explica, em entrevista ao CORREIO.

Batidas eletrônicas fluidas e arejadas se mesclam a melodias pop e progressões harmônicas pouco usuais para criar um som com bastante elegância. No ano passado, ele lança o EP Pedaço Vivo, com três músicas: “Dádiva”, “Na banguela” e “Desatravessa”. No entanto, tudo começa em 2017, com o lançamento de Tombamento Inevitável.

O projeto surge em um momento de profundas transformações na vida de Felipe. “O Tombamento Inevitável foi um momento em que eu abri mão de muitas certezas que eu tinha na vida para buscar explorar coisas novas. Eu acabei um relacionamento longo, parei de trabalhar em um local em que tinha estabilidade, parei de tocar com Wannabe Jalva por um tempo e me mudei de Porto Alegre para São Paulo”, relembra Puperi.

O EP refletiu, portanto, essa ruptura na vida do artista, em todos os aspectos. Em uma nova cidade, era momento de recomeçar. Pedaço Vivo, seu lançamento seguinte, aprofunda mais ainda esse sentimento, ao refletir sobre acontecimentos que, à primeira vista, parecem dolorosos e angustiantes, mas que acabam sendo o primeiro ato de momentos felizes, já com um aspecto mais otimista.

Felipe assina a produção do disco, que foi gravado no estúdio Casa das Fitas Balançantes, em São Paulo. A mix é de Thiago Abrahão, parceiro do músico na Wannabe Jalva, já a master ficou sob a responsabilidade do americano Brian Lucey, que colabora com Felipe há alguns anos. Brian já trabalhou com nomes como Arctic Monkeys, Black Keys, Cage The Elephant, Chet Faker e Liam Gallagher.

No Nordeste, como dito no início desta matéria, Tagua Tagua faz turnê conjunta com os paraibanos da Glue Trip. A ideia surge em dezembro do ano passado, durante a Semana Internacional de Música (SIM), em São Paulo.

“Conheci o produtor deles, o Felipe Matheus, que gostava muito do Tagua Tagua e me convidou para conhecer a Glue Trip, pois achava que os grupos tinham alguma conexão”, conta Felipe Puperi.

O que ele não imaginava era que essas conexões eram maiores ainda. “Eu já conhecia o vocalista da banda, porque a gente fez uma residência artística há alguns anos aqui em São Paulo, na Red Bull Station. Os anos passaram, eu esqueci completamente disso e só relembrei quando fui assistir ao show da Glue Trip”, relembra.

Glue Trip vem apresentando Brasil afora seu segundo disco, Sea at Night, com uma sonoridade mergulhada nos sintetizadores oitentistas e no dark pop, com uma proposta mais densa que o primeiro disco homônimo, lançado em 2015.

A banda surgiu em 2012 aqui em João Pessoa e, ao longo dos anos, vem expandindo seu alcance através da internet e das redes sociais. Sua música e videoclipe mais famosos é “Elbow pain”, que já conta com quase 5 milhões de visualizações no YouTube.

Outras atrações culturais da véspera de feriado



Iakekan

Hoje, 20h. A Budega Arte Café (R. Américo Cantalice, 197, Bancários, João Pessoa). Entrada franca.

A música da América do Sul é o ponto de partida do projeto Iakekan, encabeçado pela musicista e professora de etnomusicologia Alice Lumi (ex-integrante do Tarancón). As referências passam pela música indígena, nordestina, da Amazônia e dos Andes, sem esquecer das heranças africanas e ibéricas, com o objetivo de "reunir cantos de celebração, coesão, emancipação, resistência e retratos sonoros do nordeste e dos Andes", como define a apresentação geral do grupo em material de divulgação enviado à imprensa.

O repertório do show é parte do programa Música e Minorias Latino-americanas, desenvolvido na UFPB. No show de hoje, há a participação especial do Potiguara Valber. O Iakekan é composto pelas vozes e instrumentos artesanais de Mayara Yuri (rabeca), Leo Medina (violoncelo), Marta Sanchís (voz) e os compositores Paulo Ró, do Jaguaribe Carne, Fernando Farias, ex-Quinteto Armorial, e Alice Lumi.

Chico Limeira + Titá Moura

Hoje, 20h30. Recanto da Cevada (R. Bancário Waldemar de Mesquita Accioly, 53, Bancários, João Pessoa). Couvert: R$ 10.

O projeto Terças Parahýbridas, criado pelo cantor e compositor Titá Moura recebe hoje o show "Derby do azul, boleros pinks e sambas punks", idealizado por ele junto ao também cantor e compositor Chico Limeira. Como definem em material de divulgação enviado à imprensa, "é a alquimia sonora das substâncias musicais e astúcias artísticas de Chico Limeira e Titá Moura".

Chico Limeira ficou conhecido especialmente por ter se sagrado campeão do primeiro Festival de Música Paraibana com a canção "Imprópria", que gerou polêmica ao questionar figuras históricas da Paraíba. Em 2017, lançou seu primeiro disco homônimo, com sambas de autoria própria. Já Titá, que também é vocalista da banda Caburé, apresenta aqui seu repertório da carreira solo, especialmente as canções contidas em seu álbum de estreia, "Cantos Pra Se Dançar de Azul", lançado no ano passado.

Lebenskraft

Hoje, 19h. Casa da Pólvora (Ladeira de São Francisco, Roger, João Pessoa). Entrada franca.

O último capítulo da série iniciada pela então Paralelo Cia. de Dança tem sua estreia hoje. "Lebenskraft" arremata a narrativa iniciada em 2014, com "Lebenswelt", seguida por "Lebensform" (2016). O agora Paralelo Coletivo de Dança discute sobre o futuro da própria forma de dançar do grupo, que completa 15 anos de vida em 2019 com uma nova forma de organização, sem sede própria e sem editais que garantam a estabilidade de sua própria existência. Em "Lebenswelt", do alemão "mundo vivido", o grupo fez um espetáculo autoreferente, com referências elementos de montagens anteriores.

Depois, em "Lebensform" (forma de vida), a ideia era falar sobre a forma de dança que o grupo queria fazer no momento. Já "Lebenskraft" (força da vida; vitalidade), "evoca esse futuro que não é algo que está mais à frente, mas algo que já chegou, discutimos sobre o que nos move agora a continuar dançando sobre os escombros", explica Joyce Barbosa, integrante do coletivo.

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