sexta, 18 de outubro de 2019
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Paraibano nasce mais entre março e maio

Lucilene Meireles / 22 de fevereiro de 2019
Foto: Assuero Lima
Nos últimos 20 anos, a maioria dos nascimentos na Paraíba aconteceu entre os meses de março e maio, como aponta o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc). A realidade do Estado e do Nordeste é semelhante às demais regiões do país, com exceção do Norte, onde o maior número de partos ocorre em setembro. A concentração de nascimentos nos meses de março, abril e maio tem intrigado alguns pesquisadores que, apesar das discussões, ainda não encontraram uma resposta para o fenômeno. Uma das possibilidades levantadas é que o clima frio do inverno que contribui para um número maior de concepções.

O pesquisador Morvan de Mello Moreira, da Fundação Joaquim Nabuco, é um dos poucos no Brasil que se dedicou a analisar o assunto. Ele disse que o fato de que, no Brasil, têm ocorrido mais nascimentos entre março e maio está muito ligada à ideia de que as concepções acontecem mais no inverno.

“Com certeza, essas idéias estão muito associadas a algumas características, como a proximidade dos corpos mais intensa por ocasião do frio da estação. O excesso de calor, provavelmente, não é uma condição muito propícia para os coitos. É bem provável que, por isso, seja uma possibilidade de que a gente tenha mais nascimentos nessa época”, considerou.

Segundo Morvan, há chance também das famílias planejarem esses nascimentos. “É possível que haja uma decisão racional por parte dos casais para ter os filhos numa determinada época do ano. Uma gravidez que nasça numa época de extremo calor não deve estar na cabeça dos mais racionais. Ter filhos numa época mais agradável, no outono, época mais amena, é um conceito de racionalidade”, cogitou.

“Em relação a essa distribuição dos nascimentos, a ideia é descobrir se existe alguma diferenciação na sazonalidade do nascimento. Há o momento em que acontece em maior número e o momento em que acontece em número menor. No Brasil como um todo, há a questão da escolaridade da mãe, cor da mãe, quantos filhos teve anteriormente. Não posso falar especificamente da Paraíba, mas acontece em todas as regiões”, constatou.

Outros fatores que podem explicar



Grande parte dos estudos atuais que se debruçam sobre a racionalidade dos nascimentos está associada à possibilidade de que também exista uma natureza biológica, a exposição à luz solar. “A vitamina D tem efeito sobre a ovulação e, nos homens, na quantidade e qualidade dos esperma. Pode ser que quando não tem planejamento ou controle sobre a fecundidade, a reprodução, é provável que naquele momento as possibilidades de engravidar sejam maiores”, pesou o pesquisador Morvan de Mello Moreira.

Há casos que podem ter a ver com a data do casamento. “Existe também uma tendência de casar em dezembro, o que teria como resultado um pouco mais de nascimentos em setembro. Em dezembro, há a festas de final de ano, a euforia do Natal, o décimo terceiro e é possível que isso também afete os números de nascimentos em setembro.

“Na verdade, não existe uma explicação única, mas um amontoado de situações biológicas como quantidade e qualidade de esperma, temperaturas externas. Muitas vezes, quem tem ar condicionado, não tem problema com excesso de calor. Os que planejam o nascimento dos filhos escolhem o período. Mas, a gente não consegue uma explicação”.

Para Morvan, quando se trata de populações com pouco acesso aos benefícios sociais, muito pobres, sem acesso a anticoncepcionais, que não têm escolaridade ou que têm escolaridade baixa, a sazonalidade é mais diluída. Além disso, de acordo com ele, nestes grupos, grande parte das relações é desprotegida.

Grávidas opinam



A manicure Daniele de Almeida, de 24 anos, mora em Guarabira e espera a chegada do segundo filho entre o final de fevereiro e início de março. Ela contou que a filha mais velha, que tem três anos e onze meses, nasceu em março.

Mesmo assim, não acredita que as datas de nascimento dos filhos tenham qualquer associação com as condições climáticas. “Eu não acho que existe nenhuma relação entre o mês de nascimento deles com o clima, temperatura, essas coisas. Meu marido trabalha fora e só ficamos juntos nos finais de semana, independente da estação. Deve ser mesmo coincidência”, acredita.

Já a dona de casa Patrícia Ferreira, de 28 anos, está na 37ª semana de gestação, com parto previsto para março, e garante que as condições do tempo exercem influência. “Acho que tem tudo a ver. O clima mais frio contribui muito e faz com que a gente se aproxime mais”, analisou ela, que mora em Pilar. LM

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