sexta, 22 de janeiro de 2021

Paraíba
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Uma criança é agredida até a morte a cada 38 horas

Redação com assessoria / 04 de junho de 2016
Foto: Rafael Passos/Arquivo
A cada 38 horas, uma criança ou adolescente é agredido até a morte, na Paraíba. A média é com base nas mortes por agressão registradas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em 2015. A infância para alguns é sinônimo de diversão, alegria e aprendizado, mas para outros é uma fase marcada por agressões e violência, seja da  família ou de desconhecidos.  Como forma de alerta e para reforçar a proteção infantil, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou em 1982 o Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão, celebrado no dia 4 de junho.

Para a ONU, as quatro principais categorias de violência são os abusos físicos, sexuais, psicológicos e negligência. Essas formas de agressão contra as crianças, quando não levam à morte, podem desencadear profundos traumas que perduram até a vida adulta. O psicólogo do Hapvida Saúde, André Assunção, explica que todos os tipos de violência geram traumas, mas que algumas pessoas terão mais transtornos que outras, isso varia de acordo com a estrutura psicológica de cada um.

“A pessoa pode se mostrar mais fechada e de difícil acesso aos outros. Pode se fechar a ponto de manter dificuldades de relacionamentos, mostrar perfil irritado, tristeza, infelicidade e até mesmo antissociabilidade. Esse tipo de perfil problemático por conta de um trauma pode ser observado tanto em adolescentes quanto em adultos vítimas de violência”, esclarece.

Quando a violência acontece no ambiente familiar os transtornos se agravam, pois há uma quebra no vínculo afetivo. “Se fosse em outros ambiente, a pessoa terá a família para apoiar-se. Geralmente, filhos que apanham ou sofrem violência na infância apresentam na vida adulta os reflexos do que ocorrera no passado”, afirma o psicólogo.

No entanto, como a violência pode acontecer em vários ambientes, é preciso que os pais estejam atentos às mudanças de comportamento de seus filhos, já que isso pode ser o indicativo que de algo está errado com a criança.

“Normalmente, as vítimas ficam mais reservadas, com medos frequentes de coisas simples, como o toque, o olhar, a voz em tom alto. Também pode-se observar marcas no corpo, dores frequentes, sono, pesadelos e falta de autoestima. Caso a violência seja na escola, por exemplo, a criança pode não apresentar interesse de ir para o colégio. Ela tende a se esquivar dos ambientes que a ameaçam”. André Assunção, psicólogo.

 

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