segunda, 23 de abril de 2018
Paraíba
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Queimadas ilegais em canaviais deixam 180 mil pessoas sem energia na Paraíba

Redação com assessoria / 03 de novembro de 2015
Foto: Divulgação
Indústrias com a produção parada, lojas comerciais, escolas, bancos e hospitais prejudicados. Essa é a consequência das queimadas ilegais em canaviais que têm levado a suspensão de energia elétrica em toda a Paraíba. Em uma semana, cerca de 180 mil pessoas foram afetadas pelo problema na região Leste do Estado, de acordo com a Energisa.

As cinco ocorrências, registradas pela empresa de energia, atingiram clientes nos municípios de Caaporã, Pitimbú, Acaú, Alhandra, Conde, Sapé, Caldas Brandão, Sobrado, Cruz do Espírito Santo, Cuité de Mamanguape, Marí, Lagoa, Riachão do Poço, Jacaraú, Curral de Cima, Lagoa de Dentro, Pedro Régis e Timbó.

A Energisa mapeou os 186 km de áreas plantadas com cana-de-açúcar sob as linhas de transmissão que impõem risco de interrupção ao fornecimento de energia elétrica e calcula que 450 mil pessoas estão sujeitas à suspensão no abastecimento por causa das queimadas ilegais nos canaviais.

A grande maioria das queimadas que atingem a rede elétrica ocorre durante o dia e, portanto, é causada de forma indevida e irresponsável por terceiros. As usinas e os fornecedores de cana só realizam a queima controlada no período noturno.

Com a colheita em curso, aumenta o número de casos de danos na rede elétrica causados pelas chamas. A média de desligamentos nos últimos quatro anos chega a 20 vezes, segundo o gerente do Departamento de Manutenção da Transmissão da Energisa, Tércius Cassius Melo de Morais, causando transtornos à população paraibana.

O maior problema é o descumprimento ao Decreto Estadual 24.419, de setembro de 2003, que proíbe o uso de fogo em áreas próximas à rede elétrica, numa faixa de segurança de 15 metros da rede elétrica.

“Para as linhas de transmissão, a faixa é de, no mínimo, 6 metros que, somados aos 15 metros do Decreto Estadual, totalizam 21 metros para ambos os lados do eixo da linha de transmissão. Quando esses limites não são respeitados, o calor afeta a composição do ar, provocando curtos circuitos entre os condutores e até mesmo entre os condutores e os postes”, explica Tércius.

Para minimizar os danos, a Energisa adotou várias ações ao longo dos anos, como palestras educativas nas comunidades próximas às plantações, campanhas publicitárias e de incentivo a denúncias de descumprimento do Decreto 24.419 junto à SUDEMA. Em 2015, a Energisa firmou parceria com a Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba e o Sindicato da Indústria do Álcool do Estado da Paraíba para, dentre outras medidas, antecipar o corte da cana situada abaixo da linha de transmissão e o intensificar o trabalho de conscientização nas comunidades. Em novembro, uma nova campanha será veiculada nas emissoras de rádio da região, alertando para a ilegalidade da prática e para os riscos às comunidades.

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