sábado, 26 de maio de 2018
Paraíba
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Política para mulheres só existe em 44 cidades

Rammom Monte / 09 de novembro de 2015
Foto: Nice Almeida
O número de mulheres mortas de 2003 a 2013 triplicou na Paraíba. É o que aponta o Mapa da Violência 2015, divulgado nesta segunda-feira (09). Mas, apesar do alto crescimento, o estado conta com apenas seis Centros de Referência da Mulher e somente 44, dos 223 municípios, têm políticas públicas voltadas para as mulheres, o que representa apenas 19% das cidades paraibanas. Quem confirma os dados é a secretária Estadual da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Santos Soares.

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De acordo com o mapa, em 2003, 35 mulheres foram assassinadas na Paraíba. Já em, 2013, o número subiu para 126, o que representa um acréscimo de 260%. Para Gilberta, é importante que os municípios caminhem junto com o estado na questão de políticas públicas para as mulheres e que as pessoas precisam entender que toda agressão deve ser levada a sério tanto pela vítima quanto pela família e pelas autoridades também.

"Os municípios precisam ser parceiros, porque quando a mulher morre não é porque a violência aconteceu ali. Já começou antes, começou com um empurrão. Muitas passam anos sendo ameaçadas e quanto mais elas reagem, mais o machismo do agressor cresce e a mulher não pode subestimar a violência, tem que falar para família, porque se ela se isolar, a força do agressor crescerá", disse.

A secretária disse que a linha do tempo traçada pelo mapa é longa e que o Estado já vem avançando no sentido de coibir esse tipo de violência. " (O levantamento) É de uma época em que não existia políticas públicas para mulheres. Aqui na Paraíba, de 2011 a 2014, houve redução de 29% nos homicídio femininos", disse a secretária, apesar dos números indicarem uma redução de apenas 11,2% de 2011 para 2013.

Centro da Mulher 8 de março

A coordenadora geral do Centro da Mulher 8 de março, Irene Marinheiro, tratou o crescimento no número de casos como alarmante, mas, a exemplo da secretária Gilberta Santos, afirmou que os números vêm caindo nos últimos 3 anos.

“É um aumento assustador em todo Brasil. Se olharmos bem, praticamente 13 mulheres assassinadas por dia no país, o que é assustador. Mas nós devemos lembrar que a Lei Maria da Penha só foi criada em 2006, e da criação dela até 2013, poucos estados tinham sequer a implementado. Tanto que, desde este ano, a gente vem notando uma queda no número de casos registrados”, disse.

Outro fator levantado por Irene é a questão da punição aos agressores de mulheres. Ela reconhece que a impunidade ainda é grande, mas afirma que os números de prisões relacionadas a este tipo de crime na Paraíba, vêm crescendo.

“A impunidade ainda é muito alta, e pode ser uma das razões do alto número nos índices, mas ainda assim tivemos um aumento de punições, como o caso de Queimadas, por exemplo, e alguns outros casos que foram condenados no estado, mas ainda temos muito o que lutar”, finalizou.

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