quinta, 14 de dezembro de 2017
Paraíba
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Pesquisa confirma: pessoas com deficiência sofrem com despreparo das cidades

Ana Daniela Aragão / 20 de março de 2016
Foto: Rafael Passos
Os supermercados e hipermercados de João Pessoa, não cumprem a maioria dos parâmetros de acesso recomendados pela ABNT 9050. Este foi um dos destaques da pesquisa de mestrado da administradora Rayane Fernandes, feita em 2014. As pessoas com deficiência relatam que uma simples ida ao supermercado é uma sensação de liberdade e autonomia. Elas enfrentam as barreiras para se sentirem independentes e pertencentes à sociedade.

Ainda existem as barreiras sociais e culturais. “Essas barreiras são impregnadas de preconceito e estigmatização, e constroem-se social e culturalmente, refletindo a falta de preparo quanto à aceitação e a convivência com a diversidade humana, dificultando a interação, comunicação e atendimento dessas pessoas nos estabelecimentos comerciais. Alguns desses clientes chegam a acreditar que tais tratamentos e barreiras físicas são colocadas à eles de forma proposital, evitando assim que se insiram no local e não os incomodem, já que as pessoas com deficiência são, de acordo com as crenças locais, clientes ‘menos relevantes e mais trabalhosos’”, explicou.

Os problemas já começam fora dos estabelecimentos. Que o diga o cadeirante Reginaldo Faustino, 52, que mora no Jardim Treze de Maio, vítima de paralisia infantil. “Os problemas existem a partir do momento que saio de casa”, disse.

Despreparo

“Ficou claro o despreparo destes ambientes de varejo da cidade com relação a proporcionar uma estrutura arquitetônica devidamente acessível a esses clientes, o que se configura em uma situação absurda e lastimável, visto que, cerca de um quarto da população da cidade possui alguma deficiência, e tem que defrontar-se cotidianamente com situações limitantes, perigosas ou constrangedoras”. Rayane Fernandes. Administradora

Vida normal é difícil

A vida do Reginaldo é ocupada durante toda a semana, com curso técnico e aulas de música e dança. Para chegar aos locais são vivenciadas as primeiras dificuldades do dia:o caminho até a parada de ônibus e o acesso ao transporte público. Reginaldo precisa se locomover pela rua, disputando o lugar com carros e motos. “Não dá pra ir pela calçada. Tem buracos e carros estacionados. O jeito é ir pela rua. Mas como a maioria não é asfaltada, encontro buraco e já caí algumas vezes”, disse.

No caminho, rampa na calçada, mas sem faixa de pedestre. “Isso é errado. Eu passo pela rampa e já me deparo com os carros”. e o ônibus? “Além da demora, dos poucos ônibus que existem no bairro, só alguns são adaptados”, declarou.

Compras

A vida de Reginaldo não é fácil. “Em lojas de roupa, não existe um provador adaptado. Eu tenho que me trocar no lado de fora. Em farmácias, bancos, lotéricas, tudo é muito estreito e as rampas, quando existem, são elevadas demais. O que deveria ser feito para um cadeirante subir sozinho, precisa ser feito com ajuda de alguém”, lamentou.

Projetos

O secretário adjunto da Secretaria de Planejamento, José Rivaldo Lopes, disse que há projetos para melhorar a acessibilidade na cidade. “Fizemos a reforma do calçadão de Tambaú e há projetos da avenidas Beira Rio até a Avenida Getúlio Vargas com um calçadão com rampas segundo a norma da ABNT”, disse.

José Rivaldo informou que junto com a Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) há o projeto de padronização da cidade.

Barreiras em estabelecimentos mais citadas pelos entrevistados:

- Degraus nas entradas

- Rampas e esteiras estreitas

- Pisos escorregadios

- Corredores estreitos ou com produtos expostos

- Gôndolas altas ou mal organizadas.

- Falta de vagas de estacionamento para as pessoas com deficiência.

- 0,90 cm É o tamanho adequado da passagem entre os caixas.

- 16 foi o número de entrevistados da pesquisa

- 8 foi o número de estabelecimentos que participaram do mapeamento

 

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