quarta, 25 de novembro de 2020

Paraíba
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PB tem pequenos tremores de terra, mas condições geológicas protegem o Estado

Lucilene Meireles / 06 de março de 2016
Foto: Ilustração
Madrugada de 30 de novembro de 1986. Um terremoto de 5.1 na escala Richter, que vai até 9, sacudiu o município de João Câmara (RN), distante 79 km da capital, Natal. Casas foram destruídas e centenas de moradores ficaram desabrigados. Este foi o último abalo no Brasil com grande repercussão e teve reflexo na Paraíba. Porém, no Estado, os registros são imperceptíveis, e a probabilidade de ocorrer um terremoto é pequena, já que as condições geológicas, por sorte, não favorecem os tremores.

O Nordeste é a região com maior atividade sísmica no Brasil, segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Além do Rio Grande do Norte, os estados do Ceará e Pernambuco registram mais abalos, conforme o laboratório de sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

George Sand, doutor em Geofísica do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), explicou que, mesmo estando no meio destes estados e possuindo uma grande falha geológic em Patos, a Paraíba praticamente não tem atividade.

“Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará têm falhas ativas. A Paraíba tem estrutura geológica muito parecida, mas com provável atividade sísmica que não dá para perceber. A pressão por conta de movimentos das placas de rocha na terra não é suficiente. Mas, isso não quer dizer que não vai existir tremor na Paraíba”, ressaltou.

Para o doutor em Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Joaquim Ferreira, o fato de não ocorrerem tremores na Paraíba pode ser bom ou ruim. “Pode ser que se esteja acumulando energia e de repente haja um grande tremor, mas também pode não ocorrer nenhum”, destacou. Já os reflexos, como na época do abalo em João Câmara, já foram observados por aqui. “Esse foi sentido em todas as cidades da Paraíba. Na época, houve dias com mais de mil abalos registrados”.

Os especialistas garantem que inúmeros abalos sísmicos acontecem diariamente e a maioria não é percebida. “Teoricamente, podem ocorrer sismos em qualquer lugar e a qualquer momento, mas a chance de ocorrer em algum lugar depende da história sísmica passada. O Brasil é um país de história recente e, se houve terremoto realmente grande, não sabemos”, destacou o doutor em Sismologia e professor da UnB, Lucas Vieira Barros.

43,07%  ou 28 dos 65 registros feitos pelo Centro de Sismologia da USP no ano passado foram no Nordeste, sendo 18 em Pernambuco.

Sentem mais

Quem mora nos prédios mais altos, geralmente sente mais um abalo sísmico do que os que moram em casas, afirma Lucas Barros. “Os terremotos na região dos Andes, que são profundos, as ondas vazam de baixo para cima e chacoalham São Paulo, Rio de Janeiro, por exemplo. Onde os prédios são mais altos. é o efeito do pêndulo invertido”, disse.

Uiraúna já teve

O município de Uiraúna, localizado no Sertão paraibano, a 476 km de João Pessoa, foi epicentro de um tremor de terra. O abalo ocorreu pouco antes dos anos 2000. “Dava uns tremores que até as vasilhas balançavam. Todo mundo ficava com medo, assustado. Não lembro de detalhes, se teve parede rachada, mas eu morava em casa de taipa e aconteceu no final da tarde”, lembra a dona de casa Maria de Lourdes da Silva.

Na Capital

Em 2010, a cidade de João Pessoa sofreu um pequeno abalo sísmico sentido principalmente quem estava em andares mais elevados de edifícios. O epicentro desse abalo foi no Estado do Rio Grande do Norte, no município de Taipu, e ocorreu por conta da acomodação geológica do terreno. O sismoteve uma magnitude de 4.3 e ocorreu antes dos tremores do Haiti e do Chile.

O que fazer durante um tremor?

▶ Procure não entrar em pânico;

▶ Saia de dentro das construções – o que mata as pessoas é o que cai sobre elas.

▶ Dentro de casa, se afaste de algo que possa cair. Entre embaixo da mesa ou portal.

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