domingo, 17 de novembro de 2019
Paraíba
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Município de Patos tem lei que reconhece santa que não existe

Adelson Barbosa dos Santos / 03 de outubro de 2017
Foto: Secom-PB
A Câmara Municipal de Patos aprovou e o ex-prefeito Lenildo Morais sancionou projeto de lei de autoria da ex-vereadora Claudia Leitão Martins que dedica o dia 13 de outubro a Santa Francisca, uma santa que não existe no Canon (lista oficial dos santos reconhecidos) da Igreja Católica. Na lista dos santos existem duas Franciscas: Santa Francisca de Roma e Santa Francisca Xavier Cabrini.

“Fica instituído, no Município de Patos, o Dia da Menina Francisca-Santa Francisca- a ser comemorado, anualmente, no dia 13 de outubro. O dia da Menina Francisca-Santa Francisca passará a constar no calendário oficial de datas e eventos turísticos, religiosos e culturais do Município”, diz o artigo 1º da lei municipal 4.730/2016.

O artigo 2º afirma que as solenidades comemorativas ao Dia da menina Francisca-Santa Francisca serão elaboradas com apoio do Poder Executivo, bem como da Igreja Católica quando a mesma for reconhecida santa. “À medida que o processo de canonização seja concluído e a Menina Francisca seja reconhecida Santa, automaticamente este dia passará a vigorar como o Dia de Santa Francisca”, diz a lei sancionada pelo ex-prefeito Lenildo Queiroz no dia 11 de novembro de 2016.

“Santa Francisca” é uma alusão à menina Francisca, que foi morte a pauladas no dia 10 de outubro, de 1923, na cidade de Patos, pela madrasta Domila Emerenciano de Araújo, com a ajuda do marido, Absalão Emerenciano, segundo o site da Diocese de Patos.

Em 13 de outubro, segundo o texto publicado pela Diocese, o agricultor Inácio Lázaro, se depara com os restos mortais da menina Francisca no Sítio Trapiá, onde o corpo fora jogado pelo casal.

“No local onde encontrou o corpo da criança, o rurícola fincou uma cruz de madeira, a qual passou a servir de orientação. As pessoas que por ali passavam mantendo uma tradição religiosa, rezavam em sufrágio da alma da inocente”, frisa o texto.

E acrescenta: “Certo dia, o agricultor José Justino do Nascimento, meditando sobre a grande seca que abalava a região, resolveu endereçar um pedido a Deus por intermédio da pequena mártir. Bem próximo do local, cavou uma cacimba e encontrou água suficiente para salvar o seu rebanho. Como pagamento da promessa construiu uma capela em memória de Francisca, a qual foi inaugurada em 25 de abril de 1929”. A capela está no local até hoje. ABS

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