sexta, 27 de novembro de 2020

Paraíba
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Perigo a caminho da escola: clandestinos atuam armados para intimidar fiscais

Luana Barros / 25 de fevereiro de 2016
Foto: Sistec
Veículos em péssimas condições e superlotados, crianças sendo transportadas sem a menor segurança e os perigos que rodeiam a contratação de um transporte escolar clandestino não param por aí. De acordo com o superintendente da Secretaria Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Carlos Batinga, existem motoristas utilizando armas para intimidar os fiscais enquanto transportam alunos na clandestinidade. Na Capital, pelo menos seis mil crianças e adolescentes são transportados por dia em veículos escolares. Desde 2015 já foram mais de 150 denúncias formalizadas no Sindicato dos Transportadores Autônomos de Veículos Escolares do Estado da Paraíba (Sintesc).

Segundo o presidente do Sintesc-PB, André Sales, um dos problemas causados pelo transporte clandestino é o excesso de passageiros, com vans transportando até 20 alunos, quando a capacidade máxima é 15. Ele faz um alerta aos pais que contratam esse tipo de serviço. "Muita gente não tem conhecimento, mas existem dois fatores obrigatórios para quem é legalizado na profissão. O condutor não pode ter antecedentes criminais e também é obrigatório fazer um curso de especialização em transporte escolar. O essencial é que os pais e a população se conscientizem: transportando nesses carros estamos ajudando essas pessoas a atuarem na ilegalidade", alertou.

André Sales informou, ainda, que a maioria dos que fazem esse transporte escolar clandestino tem condições financeiras de atuar dentro da lei, mas preferem outro caminho. “Essas pessoas estão trabalhando de forma errada, isso é um total desrespeito à nossa categoria. Pessoas que possuem recursos para andar legalizado, mas preferem trabalhar na ilegalidade”, disse.

Segundo o presidente do sindicato, as autoridades competentes para atuar na fiscalização já foram formalmente informadas sobre a situação. "Nós fazemos nossa parte. Quase mensalmente entregamos ofícios para a Semob, eles não vão atrás porque não querem. Inclusive também já fomos atrás do Ministério Público, mas não somos ouvidos, iremos fazer novamente e queremos acionar o Conselho Tutelar para que tomem suas devidas providências”, avisou.

Cladestinos ameaçam fiscais

Carlos Batinga, superintendente da Semob, ressaltou que o órgão não está de braços cruzados com relação à fiscalização dos transportes escolares clandestinos. Batinga disse que uma verdadeira força-tarefa foi montada para coibir a prática. Porém, a atuação dos agentes de segurança tem esbarrado na ameaça de motoristas que, inclusive, andam armados para reprimir a ação dos fiscais.

“Criamos uma equipe de fiscalização, formada pela Polícia Militar, Detran e Semob, para poder combater o clandestino, já estamos fazendo operações duas, três vezes por semana. Recebemos mais denúncias de pessoas do que do próprio sindicato. Nós temos que unir todos esses órgãos, porque temos dificuldades de ir sozinhos fazer a fiscalização. Na maioria das vezes os condutores agem com violência, agressão e muitas vezes estão armados, e todos sabem que nossos agentes são desarmados, somos treinados para uma fiscalização de trânsito", falou.

Transporte escolar

Como identificar um veículo está legalizado:

- pedir para verificar a documentação do veículo junto à Semob

- observar se existe o selo semestral de vistoria que é fixado no parabrisa do veículo

- verificar se  existe a faixa amarela

Para denunciar ou consultar o veículo...

ligar para 0800-281-1514

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