domingo, 17 de janeiro de 2021

Paraíba
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Meninos ocupam semáforos para limpar para-brisas e dar esmolas não ajuda

Lucilene Meireles / 28 de maio de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Quem passa pelo semáforo no cruzamento das avenidas Diogo Velho e João Machado, Centro de João Pessoa, certamente já viu dois meninos, de 12 e 14 anos, limpando para-brisas dos veículos. Arredios e de pouca conversa, relatam que trabalham para sustentar a família. Assim como eles, 10 crianças e adolescentes foram flagradas este ano nos sinais da Capital pelo programa Ruartes, da Capital, vendendo balas, pedindo esmolas. Outras 42, atuando em feiras livres. Longe da escola, têm seu trabalho explorado e estão expostas aos riscos que a rua oferece. Campina Grande iniciou uma campanha para que a população não dê esmolas para não estimular a exploração e a permanência delas nas ruas. A Prefeitura de João Pessoa afirma que está atuante em prol dos meninos.

Na esquina onde a dupla atua, há um adulto que ‘toma conta’ da área e impede que eles repassem informações. Segundo pessoas que trabalham em estabelecimentos nas imediações, o homem, que chegou a ameaçar a equipe de reportagem, é usuário de drogas e perigoso.

“Esses meninos podem estar sendo explorados. Vamos acionar ainda hoje (ontem) o Programa Ruartes para fazer a abordagem e, em seguida, o Conselho Tutelar Região Sul”, declarou o secretário adjunto de Desenvolvimento Social de João Pessoa, Joubert Fonseca. O Programa de Abordagem de Rua às Crianças e Adolescentes (Ruartes) faz o primeiro contato. Já o Conselho Tutelar verifica o motivo da criança estar na rua, se é por problema de família, se está estudando.

As crianças são de João Pessoa e de municípios como Bayeux, Santa Rita, Cabedelo. Se for de João Pessoa, é inserida na rede proteção, que pode ser o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), que verifica qualquer tipo de violação aos direitos humanos, tenta reinserir a criança à sua família, garantir escola. Elas também podem ser encaminhadas ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) que faz o acompanhamento familiar, fortalecimento de vínculo. Se for de outro município, o conselho tutelar faz o encaminhamento para o conselho tutelar do município das crianças.

Campina Grande inicia campanha 

A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), de Campina Grande, lançou, dia 23, uma campanha permanente para conscientizar a população a não dar esmolas para crianças e adolescentes que ficam nos semáforos da cidade. O objetivo da campanha é combater o trabalho infantil e a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Para reforçar o trabalho, o Ministério Público do Trabalho doou uma van que será usada pela equipe do Programa Ruanda, do município. O grupo faz abordagens a crianças e adolescentes em situação de risco e faz o encaminhamento para programas assistenciais e educativos. A ação beneficia, inclusive, as famílias. A reportagem não conseguiu ouvir a Prefeitura de Campina para saber o balanço dos primeiros dias.

DESTAQUE

“É um trabalho delicado, minucioso encontrar criança trabalhando e sendo explorada, mas a rede de atendimento é sempre acionada para reduzirmos os danos e acabar com essa realidade na cidade”.

Joubert Fonseca, secretário adjunto de Desenvolvimento Social de João Pessoa.

Crianças estudam e número aumenta nas férias e greves 

Todos os dias, as equipes do Programa Ruartes passam nas ruas de João Pessoa, em pontos como a orla, Centro, rodoviária, Ponto de Cem Réis , imediações de shoppings, feiras livres. As crianças localizadas nos semáforos são encaminhadas ao Conselho Tutelar, que faz os encaminhamentos. Nos períodos de greves das escolas e nas férias, meninos e meninas que, na maioria das vezes, são beneficiários de programas sociais, vão para as ruas e ficam na mendicância, conforme a coordenadora do Ruartes, Maria do Amparo dos Santos.

Ela afirmou que não é comum encontrar crianças onde os dois meninos foram flagrados pela reportagem. Nos demais locais, ela afirmou que os relatos apontam que a atuação deles nas ruas é pela necessidade em casa. Outros dizem que a mãe nem sabe. Na feira, temos o problema do trabalho infantil. Na de Jaguaribe, por exemplo, foram encontradas crianças de apenas 3 anos de idade. Elas vêm com os pais de municípios como Alhandra, Sapé.

“Nós retiramos das bancas dos pais e levamos para um local mais afastado da feira, fazemos atividades lúdicas e ficam com a gente até que o serviço dos pais termine. Os dados são encaminhados para o Serviço de Convivência e Fortalecimento, vinculado aos Cras e ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que realiza visitas às famílias e aos comerciantes e verificam a situação das crianças junto aos conselhos tutelares”, explicou.

Abordagens do Ruartes - 2016

10 – 7 a 15 anos – nos semáforos

16 – 10 a 15 anos – feira do Bairro dos Estados

09 – 3 a 12 anos – feira de Jaguaribe

09 – 6 a 12 anos – feira do Grotão

08 – 3 a 15 anos – feira de Oitizeiro

 

Como denunciar

Disque 100

Sedes – plantão – 98618-5488 e 3214-3709 – de segunda a sexta.

 

O Ruartes

 

3 é o número de equipes do Ruartes, formadas por educadores, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, que fazem brincadeiras para facilitar a abordagem.

5 é o número integrantes de cada equipe.

8h às 14h é o horário de atuação da primeira turma.

14h às 20h entram em cena a segunda equipe.

17h às 23h é o período de atuação da terceira.

6 é a quantidade de dias de atuação (segunda a sábado).

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