quinta, 13 de maio de 2021

Paraíba
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Luto ainda é tabu que ‘Finados’ pode ajudar a superar

Redação / 02 de novembro de 2015
Foto: Rafael Passos
A morte ainda é um dos grandes tabus na sociedade. A perda de um ente querido marca a vida das pessoas. Mas o que provoca tamanha resistência com o fim da existência física e terrena? Para entender mais sobre o luto, a reportagem do Correio Online conversou com a psicóloga Mariana Simonetti. Ela ressalta a importância do dia 2 de novembro, o qual é dedicado para os finados.

“Há uma importância muito grande tendo em vista o tabu com que a morte ainda é encarada. É salutar que tenhamos um dia especial para que as pessoas prestem suas homenagens aos seus entes queridos”, disse Mariana, que é consultora do Grupo Vila.

A dificuldade em aceitar a morte pode estar ligada, entre tantas razões científicas, a cultura de “ser feliz a qualquer custo”, vista pela psicologia como um dos motivos principais para dificuldade de compreensão da perda.

“Tratar o luto traz sofrimento e diante de uma cultura que as pessoas pregam de ser feliz a qualquer custo, a tentativa de aceitação é ainda mais delicada. Muitas vezes elas fogem desse sofrimento. A quebra de um vínculo é o processo que tem por consequência o surgimento de um luto”, explica.

A data de finados, por exemplo, é dolorosa ao ponto de causar medo e receio. “Algumas pessoas, principalmente, as que tiveram perdas mais recentes, apresentam uma maior dificuldade com o dia de finados. Traz uma lembrança que não é de saudade, mas, de sofrimento, pois não remete aos bons momentos vividos com aquela pessoa. A tendência, contudo, é de que o tempo ressignifique a ideia do luto”, pontua.

Em casos mais extremos, há quem prefira não visitar o cemitério do ente querido. “Vai depender do perfil de cada um. Cada um reage de uma maneira diferente diante da complexidade do tema. Elas precisam ser respeitadas, desde que não tenha problema de falar sobre a morte. Fugir nunca é uma solução, já que estão sujeitas a passarem por isso e adiar pode complicar mais esse momento”.

Outro ponto ressaltado por Mariana Simonetti é de que não há como medir sofrimento, ou seja, quando um parente, por exemplo, está enfermo há bastante tempo e a família meio que se prepara para a perda. Entretanto, a morte quando pega de surpresa, o choque fica mais evidenciado.

“Não há como generalizar, se é mais difícil para quem se preparou antes ou para pessoa que é pega de surpresa. Só que pela nossa experiência, quando acontece algo súbito e a pessoa acaba partindo tendo apresentado nada anormal nos dias anteriores, os parentes e amigos se chocam mais. Repito: não há como medir sofrimento, mas fica mais evidenciado”, acrescentou.

 

 

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