terça, 24 de novembro de 2020

Paraíba
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Era para acabar com o Aedes, mas agente mata visita

Bruna Vieira / 12 de dezembro de 2015
Foto: Arquivo
Cada agente de saúde deveria visitar 25 casas, por dia. Um relatório enviado à Gerência Operacional de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde atesta que 91,47% cumpriram os ciclos exigidos de visitas. Mas, na prática, gestores reconhecem que muitas dessas inspeções a residências são feitas somente ‘na ponta do lápis’. Muitos fazem a anotação, mas não realizam o trabalho. Sem falar que, quando um agente tirar férias, não há substitutos. É assim que os governos dizem que estão fazendo a sua parte, em plena epidemia de dengue e zika.

Para evitar que a situação fique ainda mais complicada, a recomendação da SES é que os gestores negociam as férias dos agentes, nos próximos três meses, cruciais para sair da emergência, e providenciam um meio de verificar se os agentes estão realmente fazendo o trabalho de campo ou apenas anotações.

As férias divididas em dois períodos vão evitar que os imóveis fiquem sem as visitas por 30 dias, o que aumentaria a proliferação do mosquito. O desvio de funções e a falta de controle sobre as visitas preocupa, pois no papel os municípios dizem que fazem, a população diz que não recebe e o Estado não tem controle.

Os municípios devem informar em sistema online as visitas realizadas, mas o Estado não tem como saber se realmente estão cumprindo o que dizem. Dos 55 municípios com alto índice de infestação e risco de epidemia, sete não cumpriram o básico.

A equipe do Jornal Correio percorreu diversas casas na Rua Professor Artur Batista, em Jaguaribe e muitos moradores não conseguiram lembrar a última vez que recebeu o agente. “Faz muitos anos que não vejo. Eles não estão passando. Antes, abusava de tanto que entravam”, contou Cláudia Passo, dona de casa.

“É difícil de dizer”. A cuidadora Maria José Francelino é enfática. “É difícil de dizer. Não recebi visita nos meus plantões e se as outras cuidadoras tivessem recebido, teriam falado”, disse.

Por outro lado, a dona de casa Madilce Soares, a diarista Neide Pinheiro e a telefonista Célia Alves informaram que no mês passado, receberam a visita do agente. “E a gente sempre limpa, tela a caixa dágua. Meu sobrinho teve dengue hemorrágica, o que nos faz ter esse cuidado”, afirmou Célia.

Segundo a Gerência de Vigilância Ambiental da SES, cerca de 800 a 1 mil imóveis são visitados por cada agente, uma média de 25 visitas por dia.

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