terça, 24 de novembro de 2020

Paraíba
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Duas mortes em campanha; tragédias foram em Carrapateira e Araçagi

Wênia Bandeira / 01 de outubro de 2016
Foto: Divulgação
No último dia da campanha eleitoral na Paraíba, mais dois acidentes relacionados com eventos políticos terminaram em morte. Uma das vítimas foi João Mendes Brás, 43 anos, na tarde de quinta-feira em Carrapateira, no Sertão paraibano. Ele estava sentado na porta de um carro que estava indo para uma carreata quando o motorista perdeu o controle e caiu em um barranco. Horas depois, o agricultor Anderson Clemente de Carvalho, 28 anos, que era responsável pelos fogos de artifício de uma festa política na cidade de Araçagi, no Agreste, foi atingido no rosto por um dos artefatos, que apresentou um problema no acionamento.

De acordo com a polícia, João era passageiro do carro, um Fiat Strada vermelho, e estava se aproximando do início de uma carreata na PB 384, na entrada da cidade. O veículo tombou para o lado direito, onde a vítima estava. A PM não sabe o que fez o motorista perder o controle.

Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas ao chegar ao local o homem já estava morto. O motorista não se machucou no acidente. A reportagem do Jornal Correio tentou contato com o delegado do caso, Danilo Charbel, mas as ligações não foram atendidas.

Demorou a disparar. A delegada de Guarabira, Cristiane Medeiros, que atendeu a ocorrência de Araçagi, disse que Anderson estava utilizado um conjunto de fogos, chamado girandola que não disparou completamente. “Três fogos estouraram, mas o quarto teve algum problema e demorou para estourar. Ele foi ver o que havia acontecido e o disparo aconteceu no rosto dele”, detalhou.

A delegada falou que a cabeça da vítima ficou totalmente desfigurada e que ele foi socorrido por populares, mas chegou morto ao hospital da cidade.

O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas quando chegou ao local, Anderson já estava a caminho do hospital. O comandante do Batalhão do Corpo de Bombeiros em Guarabira, tenente-coronel Joelson Macena, afirmou que o erro do rapaz foi ter se aproximado sem os devidos cuidados necessários.

“Ele subestimou os fogos de artificio. Jamais a pessoa deve voltar ao local. É preciso deixar em um campo por muito tempo, usar um pau para mover o artefato, usar areia para abafar e não colocar a cabeça no destino da explosão. Ele não fez nada disso e acabou se tornando uma vítima”, explicou.

Atenção no manuseio

O comandante lembrou que os fogos precisam ser certificados para que se saiba a procedência dos fogos e que se tenha um responsável técnico, um químico como o nome escrito na caixa do artefato. Além disso, ele salientou que a explicação de como soltar os fogos, normalmente transcrita nas embalagens, não é suficiente para garantir a segurança.

“Quem manuseia os fogos tem que ter um curso ou um ser certificado para este ato. Existe uma profissão chamada bláster pirotécnico, que é exatamente para esta ação. Então quem contrata também precisa ficar atento”.

Segundo o comandante dos bombeiros, os fogos precisam estar depositados com uma distância de grande aglomeração de pessoas, calçado com pedras em um terreno baldio e afastado de rede elétrica antes que sejam acesos.

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