quinta, 26 de novembro de 2020

Paraíba
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Beneficiários sem atendimento na volta dos peritos médicos do INSS

Luana Barros / 25 de janeiro de 2016
Foto: Luana Barros
Após 140 dias de greve, os médicos peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), na Paraíba, retornaram nesta segunda-feira (25) enfrentando muitas reclamações. Milhares de beneficiários que estavam agendados ficaram sem atendimento nos últimos quatro meses por conta da paralisação da categoria. Somente na gerência do INSS, na Lagoa do Parque Solon de Lucena, em João Pessoa, mais de 2.300 pessoas estão na fila de espera, uma vez que durante a paralisação o atendimento só atingia 30%, das 40 pessoas que procuravam o local diariamente. Na capital são 62 profissionais, sendo que apenas 47 estão na ativa.

Rosângela da Rocha Pedro está na espera há três meses para ser atendida nesta segunda-feira, mas não vai, porque os médicos mais uma vez remarcaram. “Os médicos estavam em reunião desde as 7h30 da manhã e depois saíram dizendo que ninguém iria fazer perícia hoje, que todos iriam ser remarcados. Estou com a perícia marcada há três meses, agendei por telefone. Cheguei aqui com tudo que foi pedido e não vou ser atendida”, contou.

Já a desempregada Maria de Lourdes conta que faz quatro anos que tenta conseguir o benefício do filho deficiente. “Precisamos desse auxílio, meu filho necessita de muitos cuidados, só Jesus sabe do sofrimento que passo, não posso trabalhar porque tenho que ficar olhando ele, não posso deixar ele só, ele é uma criança especial. Só estou atrás do direito dele, estou aqui para resolver, mas eles não ajudam”, desabafou.

Outra desempregada é Tamires Salvino Silva, que também diz estar desesperada. “Marquei essa perícia desde outubro, mas é muita complicação. Estou desempregada, fiz uma cirurgia e eu preciso do meu auxílio saúde. Passei minha vida inteira trabalhando, pagando o INSS, eu só quero o meu benefício. E eles só fazem remarcar e nunca consigo fazer minha perícia, então hoje já vai ser remarcada de novo. O que eles querem é que a gente desista de receber o nosso beneficio”, disse.

Demanda reprimida empaca atendimento

Segundo Cláudia Wanderley, presidente da Associação dos Médicos e Peritos do INSS no Estado, por mais que estivesse ativo os 30% do efetivo durante esse período da greve, a demanda reprimida é muito grande. “Na realidade só não vamos realizar a perícia hoje para quem estiver com pedido de prorrogação, porque com esse pedido o segurado já tem seu direito garantido, irá continuar recebendo o pagamento, e por isso, nós iremos priorizar aquelas pessoas que não estão recebendo e que não realizaram nenhuma perícia, as mesmas estão completamente descobertas”, explicou.

De acordo com Cláudia, os peritos ainda se consideram em estado de greve. “Nós só estamos aqui em respeito à população, porque não houve nenhuma negociação. As pessoas é quem mais estão sofrendo com essa situação, e por isso, nós optamos em retornar. Nós trabalhadores também temos os nossos direitos. A condição de trabalho que temos é muito precária, nós vamos fazendo concessões e isso vai fazendo com que haja uma acomodação por parte do Instituto que não segue as próprias normativas criadas por eles”, finalizou.

O INSS 

Em nota, o Instituto avaliou que a volta dos peritos ao trabalho "permitirá ao Instituto envidar esforços para  uma rápida e completa regularização do atendimento à população, reduzindo o tempo de espera pela perícia médica e agilizando a conclusão dos processos represados. É bom lembrar que em boa parte das unidades, o atendimento pericial é realizado normalmente e a Central de Atendimento 135 está à disposição para informar os segurados e realizar os agendamentos e/ou reagendamentos necessários".

Reivindicações da categoria:

- Melhorias nas condições de trabalho

- Fim da terceirização

- Regulamentação das 30 horas

- Reajuste salarial de 27,9%

 

 

 

 

 

 

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