quinta, 27 de junho de 2019
Esportes
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Para manter a hegemonia

Raniery Soares / 10 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Manter-se no topo é o objetivo de qualquer atleta, independente da modalidade que ele pratique. Mas e quando você se torna alvo de todas as seleções do esporte na disputa por um título mundial? Este é o sentimento que as meninas da seleção brasileira de beach handebol, comandadas pela técnica Rossana Marques carregam na mente. Em busca do tetracampeonato, elas disputam a partir desta semana o Mundial de Budapeste, na Hungria.

Como a maior parte do elenco é paraibano, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) optou por mais uma vez realizar a fase de treinamentos na Praia do Cabo Branco, em João Pessoa. As atividades foram intensas, sendo realizadas diariamente em três períodos (7h, 11h e 16h), desde o dia 20 de junho. Ao todo 16 jogadoras, sendo oito paraibanas fizeram parte da preparação.

Rossana Marques garante que este ano a seleção terá um desafio ainda maior. Dona de três títulos mundiais (2006, 2012 e 2014), a equipe brasileira tem sido estudada pelos adversários, para que o status de ‘imbatível’ possa ser quebrado. Segundo a treinadora, um fator que faz o mundo alimentar o desejo de derrotar o Brasil é que desde 2012, as meninas estão invictas.

“Estamos diante de uma grande responsabilidade. O último mundial aconteceu na nossa casa e agora vamos até a casa do nosso maior adversário, que é a Hungria. Há quatro anos não perdemos para nenhuma seleção e por este detalhe podemos imaginar como os outros países veem o beach handebol brasileiro. Porém, sabemos o que precisamos fazer e qual deve ser o nosso papel numa competição como essa. Treinamos intensamente nestes últimos dias e agora vamos colocar em prática dentro da quadra”, disse Rossana.

O Brasil ficou no Grupo B, ao lado das seleções da Noruega, Tunísia, Polônia, China Taipei e os vizinhos uruguaios, que serão os adversários logo na estreia. O primeiro jogo será nesta terça-feira.

O peso da experiência

Não é a primeira vez que Cinthya Piquet veste a camisa da seleção numa disputa mundial. Uma das atletas mais experientes do grupo, a jogadora paraibana é a única do grupo que pode chegar ao tetra atuando pelo Brasil.

Ao mesmo tempo em que pensa no Mundial de Budapeste, Cinthya ressalta a responsabilidade que terá pela frente, afinal os ‘mais velhos’ acabam sendo referência para os ‘novatos’.

“Todas que já estão a mais tempo na seleção se sentem referência para as jogadoras que estão chegando. Nós temos a responsabilidade de puxar o grupo, de fazer com que estejamos cada vez mais unidas em busca dos objetivos, mas sempre digo que ao mesmo tempo aprendemos algo novo todos os dias com as mais novas”, comentou.

Um detalhe interessante e que faz a diferença no ataque brasileiro é que Cinthya é canhota e por incrível que pareça, este tipo de jogadora não existe em todas as seleções.

“Existe seleção que não tem nenhuma jogadora canhota. A forma como treinamos a marcação é diferente e como as adversárias não possuem ninguém que jogue com a mão esquerda, elas só treinam a marcação de jogadoras destras. Não é fácil marcar o canhoto e aposto que esta será mais uma vez um diferencial para nós”, disse a jogadora.

Com uma carreira consolidada na areia, Cinthya ainda joga handebol de quadra em algumas ocasiões. A jogadora de 31 anos é referência para a filha Carol, que já integra o elenco do mesmo esporte no Colégio Motiva.

Esporte fará parte das Olimpíadas de 2024

A transformação do beach handebol em esporte olímpico pode até vir em 2020, mas ainda não é nada oficial. O que a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) tem certeza é que em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, o esporte vai entrar oficialmente para o hall das modalidades integrantes da competição.

Feliz com a conquista, afinal a história do beach handebol se confunde com a da técnica Rossana Marques, ela garante que foi uma decisão acertada do Comitê Olímpico Internacional.

“Foi feita uma seleção mundial para apresentar o esporte ao Comitê. O esporte já tem todos os itens necessários para ser olímpico: quantidade de países praticantes, de títulos, competições mundiais, etc. Agora o que nos resta é nos prepararmos”, comentou.

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