domingo, 16 de junho de 2019
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Oscar pode ter surpresas e fatos históricos

Renato Félix / 24 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
Na história do Oscar, que chega hoje à 91ª edição, apenas nove produções conseguiram furar o bloqueio da língua e ser indicados a melhor filme, mesmo não sendo falados em inglês. O único deles a chegar à cerimônia com chances reais de vencer — e, mais que isso, como favorito — é Roma, de Alfonso Cuarón. Se confirmar a vitória, vai ser histórico: o primeiro filme de língua não inglesa a ganhar o Oscar de melhor filme.

Roma já é o primeiro filme produzido para uma plataforma de streaming a concorrer na categoria principal, passo importante para a contínua busca da Netflix por prestígio artístico.

A noite também dará atenção especial a Glenn Close. Em sua sétima indicação e sem nenhuma vitória até agora, a americana é atualmente a atriz que mais vezes foi indicada sem nunca ter vencido. Por A Esposa, desde o Globo de Ouro, vem se desenhando uma tendência de que o prêmio, enfim, será dela.

O CORREIO preparou, como todo ano, um guia completo da premiação, com um quem é quem das principais categorias e a lista completa de quem pode levar uma estatueta para casa. Mais uma vez, convidamos jornalistas e críticos que cobrem a sétima arte para dividirem seus palpites e contarem, junto conosco, suas preferências.

Nosso Palpite

Suzana, Milani e o repórter do CORREIO apostam em ROMA. “Acho que leva não só pela inquestionável qualidade, mas pela sutil estocada em Trump, afinal Cuarón é mexicano", diz Suzana. Russo e Paulo Henrique acham que o vencedor será green book. "Começo a achar que a pressão será grande dos velhos produtores e das distribuidoras para que Roma não vença, de forma a preservar ainda o cinema como experiência, em primeiro lugar, numa sala de cinema”.

Nove ‘estrangeiros’ em melhor filme



Roma é apenas o nono filme não falado em inglês que consegue furar o bloqueio da língua e ser indicado a melhor filme no Oscar, em 91 edições do prêmio. E o primeiro que chega ao dia da cerimônia com chances de vitória. É, também, o primeiro falado em espanhol. Quais são os oito anteriores?

O primeiro filme não falado em inglês a concorrer na categoria principal foi o drama político Z, de Costa-Gavras, em 1970. Uma história da ditadura de direita na Grécia, mas produzido na França e falado em francês.

O segundo surgiu na cerimônia de 1973: o sueco Os Emigrantes, de Jan Troell, que conseguiu esta proeza antes mesmo de Ingmar Bergman. O próprio Bergman veio em seguida, em 1974, com Gritos e Sussurros, único de seus filmes a conseguir tal feito.

Levaria 22 anos até que mais um filme de língua não inglesa fosse indicado ao Oscar de melhor filme. Este foi O Carteiro e o Poeta, em 1996, dirigido pelo indiano Michael Radford, mas falado em italiano.

A língua italiana emplacou também o filme seguinte: A Vida É Bela, em 1999, dirigido por Roberto Benigni (que ganhou o Oscar de melhor ator naquele ano).

Em 2001, O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, foi o primeiro e único filme falado em mandarim a ser indicado a melhor filme. E, em seguida, veio o único falado em japonês: Cartas de Iwo Jima, cujo diretor é o americaníssimo Clint Eastwood.

O Artista, em 2012, é uma produção francesa, mas não conta: é mudo e tem um diálogozinho em inglês no fim. O último filme da lista é Amor, de Michael Haneke, em 2013, a única vez que a língua francesa emplacou um indicado.

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